Entrevista: Giulia Moon

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Giulia Moon é autora de diversos contos fantásticos e do livro "Kaori - Perfume de Vampira", resenhado aqui no blog. Muito simpática, Giulia Moon não recusa nunca a oportunidade de trocar ideias com seus fãs sobre seu trabalho e sua vida de autora paulistana. Escrevendo freneticamente atualmente, a continuação da história da vampira mais sensual do mundo, Kaori, Giulia aceitou fazer uma 'pausa' para atender aos inúmeros pedidos dos leitores do "Livros, Filmes e Músicas", uma entrevista quentissima, onde a autora fala sobre a continuação do livro, sobre sua vida e seus projetos. Gostaria de agradecer a participação da  Karine, do blog "Toca da Coelha", super fã da autora, que me ajudou a compor a entrevista. Então, o que você está esperando? Embarque nessa entrevista!

Kaori é um livro que esbanja sensualidade e erotismo. O que te levou a escrever Kaori? Qual foi sua maior inspiração? Como foi que a Kaori nasceu?

Kaori nasceu num conto antigo, chamado “A Gueixa”. Eu queria escrever algo que tivesse uma cena sensual num cenário japonês. Então Kaori surgiu naturalmente, como se já existisse em algum lugar e eu só tivesse que chamá-la para entrar em cena. Depois, ela ressurgiu, malvada, num outro conto, chamado “Kiuketsuki”, da minha coletânea “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros”. E ela sempre foi assim. O erotismo sempre fez parte da essência da personagem, pois ela é uma vampira de programa. Mas foi no romance que Kaori adquiriu contornos mais definidos. Eu a vejo como alguém suave, delicada, apaixonada e intensa - mas ao mesmo tempo fria e determinada quando necessário. Uma verdadeira mulher japonesa...


Você já sabia bastante sobre a cultura japonesa ou tudo foi a base de pesquisas?

Eu sabia muita coisa, mas não o suficiente. Como sou descendente de japoneses, cresci em meio a mangás, filmes de samurais e animes. Mas, durante a adolescência, fui me afastando um pouco desse universo, e só voltei a curtir elementos como a música e o cinema japonês recentemente. Muita coisa, como os costumes da época de Tokugawa, a geografia da região, o tipo de vegetação, enfim, a maior parte dos detalhes da narrativa no Japão feudal foi produto de pesquisa em livros, na internet e de consultas a amigos japoneses. Um deles, Lúcio Kubo, foi de grande ajuda, revisando inúmeros detalhes que tinham me escapado.


Kaori é um livro que na nossa imaginação vira filme. Quais seriam os atores que você escolheria para protagonizar um filme sobre Kaori?

Puxa, é muito difícil imaginar um elenco para Kaori. Eu crio as características físicas dos personagens vendo fotos aleatoriamente, às vezes de desconhecidos, que encontro na internet ou em revistas. Apenas um dos personagens teve um ator como fonte de inspiração. É o samurai Kodo, que sempre enxerguei na pele do ator japonês Ken Watanabe (foto ao lado) de “Memórias de Uma Gueixa” e “O Último Samurai”. O resto do elenco, eu deixo para a imaginação dos leitores escolher...


Novamente, penso em Kaori nas telas do cinema. Qual seria a trilha sonora de Kaori? Quais músicas ou artistas te inspiraram durante a criação da história?

Eu ouço muita coisa enquanto escrevo. Gosto de roqueiros antigos como Rolling Stones e David Bowie. Rock dos anos 80 como The Cure. Posso passar também uma tarde inteira ouvindo Enya ou Loreenna McKennitt. E, ultimamente, estou ouvindo muito rock japonês.

Mas uma música, com certeza, foi muito importante para compor uma das cenas-chave de “Kaori”. É a música “Fragrance”, de Gackt Camui, um roqueiro japonês de quem agora sou fã de carteirinha. E “fragrance” significa “perfume”, não é? Não poderia ser mais adequada. Eu descobri Gackt no Youtube, quando procurava a música japonesa que tocaria no iPod de Kaori, enquanto ela seduzia Samuel no quarto do Hotel Tayô. Quase não acreditei quando achei este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=aeIS2A-5FLI . E depois este: http://www.youtube.com/watch?v=O8h0cxyslM0

A letra, a melodia sensual, a voz maravilhosa de barítono do cantor, tudo nesta canção trazia um clima de sedução perfeito para a cena. Depois disso, esta canção, para mim, tornou-se a música-tema de Kaori.


Kaori e o humano Samuel aparecem no conto "Dragões Tatuados" publicado na Coletânea "Amor Vampiro" também da Giz Editorial. Quem veio primeiro, o conto ou o livro solo de Kaori?


Eles surgiram juntos na minha cabeça, mas o conto “Dragões Tatuados” foi publicado primeiro. A cena de Kaori com Samuel do “Dragões Tatuados” fazia parte de um primeiro esboço do romance e, quando recebi a proposta da Giz Editorial para participar da coletânea “Amor Vampiro”, eu reescrevi a cena em forma de conto, pois era um tipo de amor completamente diferente do usual e, para mim, era uma espécie de síntese do amor de uma vampira. Um amor cheio de perigos e prazeres. Depois, com o sucesso do conto, recebi uma proposta da Giz para publicar algo longo, um romance. E decidi tirar o esboço de “Kaori” da gaveta e contar o passado da minha vampira nipônica, ao mesmo tempo em que traria de volta Samuel, o olheiro de vampiros. E aí, finalmente, “Kaori: Perfume de Vampira” nasceu.


No livro Kaori se apaixona pelo pintor José Calixto e esse amor atravessa as barreiras do tempo mesmo depois da tragédia que se abate sobre o romance. Você pretende criar um novo personagem para preencher a lacuna na vida de Kaori ou ele já está inserido na história?

Huuuum... Que perigo! Não posso ainda responder a essa pergunta. Mas podem ficar certos que Kaori vai viver novas paixões. Ela tem um coração apaixonado, embora tente sempre escondê-lo sob a aparente indiferença. Acho que ela merece amar muito ainda, não acham?


O Mestre é um personagem enigmático e misterioso, por isso, deixou-me febril nos últimos capítulos. Por que ele não ajudou Kaori quando ela mais precisava dele nos momentos em que foi prisioneira de Madama Missora?

O Mestre, apesar do nome e da longevidade, é uma alma imperfeita. Ele abandonou Kaori e Missora e sumiu no mundo, à procura da sua verdade. Na época em que Kaori reencontrou Missora, ele estava ainda perdido por aí, peregrinando. Não existia ainda o IBEFF e não havia como ele saber o que estava acontecendo com Kaori. E, mesmo que soubesse, talvez nada teria feito, deixando que a natureza de suas crias ditasse os seus destinos. Para ele, nada é bom ou ruim de forma absoluta ou indiscutível. Apenas o mundo fantástico, a vida das suas criaturas, e o ciclo natural que move o universo lhe importam. Acho que ele apenas observaria o acontecimento para depois tirar as suas conclusões...


Como está a continuação de Kaori? O que podemos esperar dela?

O novo livro já está na fase final. Acho que vocês podem esperar muita aventura, sensualidade e novos personagens. Aparecerão criaturas do folclore brasileiro e Kaori viverá novas paixões ardentes. E... o resto deixo para vocês lerem no próprio livro!


Um pouco sobre a autora


Como é a sua vida, seu dia a dia de vampira paulista (risos!)? O que você faz além de escrever?

Eu trabalho como freelancer de trabalhos publicitários. Desde 2008, trabalho em casa, por isso não tenho horário fixo e nem finais de semana. Às vezes acordo no meio da noite e começo a escrever. Aliás, descobri que o melhor horário para isso é entre as cinco e as nove da manhã, pois a casa está silenciosa e o telefone, calado. Agora, na reta final do novo romance, estou praticamente trancada em casa, escrevendo, escrevendo...

Talvez por estar mergulhada no universo de Kaori, ando viciada em coisas japonesas. Ouço Gackt o dia inteiro, leio mangás e assisto animes. Acompanho uma novelinha japonesa no canal NHK, chamada “GeGeGe no Nyubou”, que conta a vida do autor de mangás Shigeru Mizuki, uma lenda entre os mangakás. Durante a semana, quando o tempo está bom, vou caminhar no Parque da Aclimação, que fica a algumas quadras da minha casa. Passo os finais de semana com o meu “consorte” Roberto Melfra, que tem a paciência infinita para aguentar as minhas neuroses e ainda me ajuda com informações sobre lutas marciais e armamentos, entre outras coisas, pois ele é um cara que tem um conhecimento incrível sobre várias áreas.

Acho que é por aí, a minha vidinha.

Quais são seus autores e livros preferidos? Qual foi o autor e/ou livro que mais a inspirou e influenciou?

Adoro Neil Gaiman, leio tudo o que ele escreve. Gosto muito de Terry Pratchett e Stephen King. Comecei a escrever contos de terror quando li “Histórias Extraordinárias” de Edgar Allan Poe. E fantasia, depois de ler alguns contos maravilhosos de Ray Bradbury. Quando adolescente, cheguei a desenhar alguns mangás inspirados no “Senhor dos Anéis”, de Tolkien, que eu tinha amado. Mas só comecei a escrever histórias de vampiros quando me apaixonei pelo livro “O Vampiro Lestat” de Anne Rice. Acho que o que eu escrevo, hoje em dia, é uma mistura de todas essas influências. Mas acredito que desenvolvi um estilo próprio, que mistura tudo isso e adiciona um pouco de humor e uma narrativa leve e veloz, características que eu trouxe da minha fase de contista.


A promoção iniciada no blog em apenas uma semana chegou a mais de 100 participantes. Como é ver seu livro fazendo tanto sucesso? Como é sua relação com os fãs?

Puxa, é muito bom saber disso. Sem falsa modéstia, eu sempre tive muita confiança no “Kaori”, na qualidade da história, na sua capacidade de divertir e de proporcionar fortes emoções aos leitores. Mas ver o sucesso confirmado é outra coisa. Eu sei que muito desse sucesso vem dos próprios leitores, que estão recomendando o livro para os amigos. E isso me enche de orgulho, pois não existe propaganda melhor do que esta: a opinião o leitor.

Os meus leitores sempre entram em contato comigo por e-mails, por mensagens no Orkut. Eu peço para me escreverem dizendo o que acharam do livro, pois é assim, ouvindo as pessoas, que eu tenho me aperfeiçoado como escritora. Participo sempre de bate-papos, feiras, e nessas ocasiões sempre converso com os fãs. E o carinho que tenho recebido é algo fora do comum.

Por isso, estou me empenhando ao máximo para escrever mais histórias que possam fazê-los se assustarem, rirem, amarem. Pois espero que possamos continuar juntos, ainda por muito tempo, nos divertindo juntos nas páginas dos livros!


Giulia, obrigada pela entrevista, foi ótimo conversar e trocar ideias com você sobre Kaori. Por favor, deixe uma mensagem para seus fãs e para aqueles que desejam conhecer mais seu trabalho.

Sou eu quem deve agradecer, Dominique, pelo seu carinho e pela oportunidade de chegar um pouquinho mais perto dos leitores. E, para aqueles que já conhecem o meu trabalho, o meu sincero arigatô... Pois eu sei que estão sempre torcendo por mim. E não existe incentivo maior e mais intenso do que esse. Para quem ainda não conhece os meus trabalhos, o meu “olá”. Espero que possamos nos cruzar por aí, em alguma página interessante e emocionante de um livro. E que possamos seguir juntos, daí em diante, apreciando tudo de maravilhoso que a literatura pode nos oferecer!

Leia mais sobre Giulia Moon em:

Blog Phases da Lua
Site da Giulia Moon
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9 comentários:

Karlinha disse...

Nossa amei a entrevista, eu não conhecia o livro^^^

Coelha disse...

Fofíssima Giulia, obrigada pela entrevista!

Paloma disse...

Comprei Kaori na Bienal aqui do Rio, onde conheci a Giulia e ela autografou me livro. Comecei a ler assim que cheguei em casa e não consegui mais parar. Parabéns Giulia, adorei o livro e adorei a entrevista.

Italo _correa disse...

ual grande a entrevista hein!!=D
Mas li tudinho,não perco uma entrevista com autor brasileiro. Nossa ela foi demais,como é ótimo os autores dedicarem um tempinho pro leitoresmalém da qualidade do livro eles ganham mais fâs sendo atenciosos e gentis. ^^
Confesso que em algumas partes da entevista fiquei boiando,pq cita alguns personagens do livro e infelizment eu ainda não li o livro,mas deu pra entender a maior parte sim!!!
Ótima entrevista Nique e obrigado Giulia por ceder a entrevista!!
Bjus Nique
o/

Leonardo Adriano Ragacini disse...

Ainda sou o primeiro fã de KAori né Giulia? (momento ciúmes) kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Quem quiser Kaori e só ir lá na loja Saraiva que trabalho que tem um monte e eu garato atendimento Vip (só pra fãs Giulia) e depois só pegar o seu perfume em autografo.

:}
Team Giulia

Edilza Pinheiro disse...

Oi Nique!
Não conhecia a autora. Obrigada por apresentá-la!


Beijos

Lariane disse...

Tbém não conheci... s[ó havia lido sua resenha anteriormente XD

Mariana Paixão disse...

AMEI a entrevista! *__________*
Estou LOOOOUCA querendo ler Kaori e Vampiros no Espelho *.*
Quero muito, muito, muito!
Tomara que eu encontre na Bienal, porque aí peço pra ela autografar meu livro, YAY!

:DD

Giulia Moon disse...

Oi, Dominique e todo mundo que lê e contribui para o Livros, Filmes e Músicas!
Adorei responder às suas perguntas e estou gostando ainda mais dos recados carinhosos deixados aqui.
Arigatô pelo carinho, meninos e meninas.
E Leonardo, você continua sempre em primeiro, viu? Quem quiser conhecer o meu fã Leo, apareçam no Saraiva do Shopping Center Norte. Ele sabe mais do que eu sobre o livro! rsrsrs
Beigiunhos gelados!

{Lendo} Dominique

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