"Terra Virgem" de Phillipa Gregory

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011


Terra Virgem, da autora Phillipa Gregory, impressiona mais uma vez com sua narrativa fluente e com sua capacidade inerente de imiscuir em um romance importantes fatos históricos, capaz de carregar o leitor para o passado, em uma época onde o luxo e a nobreza inglesa ofuscavam a tudo e a todos, precisamente, ela te carrega para o século XVII, no reinado de Carlos I.


"Passava longas horas no jardim, só entrando em casa na hora do lento crepúsculo do começo do verão, e percebeu que enquanto estava cavando, capinando e transplantando as mudas da Virgínia, refletia sobre os diferentes tipos de amor que um homem pode ter: por seu trabalho, pela garota com quem se casou por amor, pelos filhos que ela lhe deu, pela mulher com quem se casou por conveniência, e pela mulher que ele amou sem esperança, impotentemente, completamente."

1638 - John Tradescant Filho é um homem devastado pelo infortúnio que se abateu sobre sua família. Pai amoroso, esposo fiel e apaixonado, vê-se perdido quando perde a querida esposa Jane para a peste. Herdeiro de um dos jardins mais imponentes da Inglaterra e da exótica Arca Tradescant, um museu de objetos raros e curiosos, John é também jardineiro real de Carlos I, sua família serve à coroa a três gerações.
Conhecidos por ter um jardim repletos de plantas do mundo todo, além de vender mudas para ricas famílias inglesas, a família Tradescant é conhecida por embarcar em aventuras por terras estranhas e desconhecidas atrás de objetos e plantas raras.
Movido pelo desejo de apagar a dor da perda, com a desculpa de que deseja colher novas mudas de plantas, John embarca para o Novo Mundo, onde conhecerá  uma terra rica em beleza natural e intocada pelo homem.
Ao chegar em Jamestown, na Virgínia, depara-se com um mundo desprovido do luxo habitual em que vive, onde homens lutam arduamente todos os dias para conquistar um pedacinho de terra e para vencer as intempéries do tempo. Além do clima, os novos habitantes, possuem um inimigo a quem desejam expulsar de vez do local, os índios, tratados como escravos e usurpadores dos direitos ingleses, são considerados seres selvagens, preguiçosos e pagãos.
Para colher as mudas das quais precisa para levar para casa, John procura um habitante local para guiar-lhe pela floresta. Indicão-lhe, então, uma menina índia, que como todos de sua raça, conhece a floresta e seus segredos como a palma de sua mão.
A partir desse primeiro contato com uma índia, embreinhado no meio da floresta por um mês, John começa a aprender seus costumes e também a respeitar seu modo de vida. Percebe que diferente do que pensam os índios não são selvagens, muito menos preguiçosos, apenas respeitam a natureza e sabem da importância dela para a manutenção da vida local.
É nesse contexto que John apaixona-se pela doce Suckahanna e encanta-se por sua beleza. Tendo prometido ao pai voltar a sua casa para levar-lhe as mudas, John parte rumo à Inglaterra, mas deixa uma nova promessa, endereçada a jovem índia. Que Suckahanna o esperasse, pois ele voltaria para casar-se com ela e constituir uma família no Novo Mundo.

Mais uma vez o destino prova não estar a favor das decisões de John e quando chega em casa encontra uma surpresa que abalará de vez seu universo. Seu pai acabara de falecer, tornando-o oficialmente dono da riqueza Tradescant, mas antes lhe deixara a incumbência de casar-se novamente, indicando-lhe, inclusive uma moça, que já passara da hora de casar.
Obrigado pela fidelidade ao pai, a cumprir seu desejo de cuidar de tudo que lhe deixou, John também é obrigado a pensar em seus filhos, que precisam sobretudo de cuidados e de uma mãe que lhes dê atenção. Assim, John desposa Hester, uma mulher com um caráter inquestionável e com uma fibra moral incomparável.

1642 - O parlamento decreta guerra contra o rei Carlos I, que aconselhado por sua esposa papista, quer transformar a Inglaterra novamente em um país católico. Contra os preceitos do rei, o parlamento quer fazer-lhe recuar na decisão de governar sozinho o reino. O país está dividido, quem está a favor do rei, está automaticamente contra o parlamento, e quem está a favor do parlamento está contra o rei. Uma guerra é travada e John sente-se incapaz de escolher um lado.
Se por um lado, por toda a sua vida ele serviu ao rei, por outro, não acha que Carlos I, seja dono de sua decisões e pensamentos e que por ele, deve sacrificar a vida em uma guerra com a qual não concorda. Incapaz de tomar uma decisão, John volta a Virgínia com o coração mais uma vez sobrecarregado pela culpa por ter deixado sua família sozinha em meio a guerra, mas feliz por sentir-se mais uma vez livre para fazer o que quiser de sua vida, sem as rígidas regras da sociedade para controlar-lhe os passos.

Confesso que foi extremamente difícil resenhar "Terra Virgem", o livro é tão recheado de acontecimentos e fatos históricos importantes, que é impossível de se contado em apenas uma resenha. Phillipa Gregory constrói de forma sublime seus personagens e os fatos que desencadeiam os acontecimentos ao longo da história. Tudo é tão detalhado e explicado, que ao final da leitura, ficamos com a sensação de déjà vu, como se nós mesmo tivessemos participado da história.


É impossível não se encantar com a floresta de Suckahanna, com seus costumes e com seu povo leal, de caráter tão forte. É impossível não desejar ardentemente, que eles consigam proteger a terra deles e que consigam viver em paz novamente. Suas reinvidicações são tão reais e tão cheias de razão, já que por ordem de chegada, eles é que deviam ser os donos daquelas terras, que a cada virada de página, nosso coração morre um pouco com o povo powhatan, o leitor descobre-se sofrendo junto a eles.

Uma personagem digna de se destacar é a Hester, segunda esposa de John. Ela tem uma fibra moral e um coração tão grande, que encanta o leitor com seus gestos e jeito de amar incondicionalmente, mesmo os filhos que não são seus e, sim, emprestados pelo casamento. Sua dedicação ao tesouro Tradescant e aos filhos de John a transformam na grande horoína do livro. Se há uma personagem inesquecível nessa história, com certeza, é Hester.

E John, o que dizer de um homem com um coração tão dividido? Ora pelo dever imposto pela tradição de servir ao rei, ora pelo desejo de seguir seu coração e seus ideais. Ora apaixonado pela bela índia, ora dividido pela lealdade e carinho que guarda pela esposa Hester. Ser fiel ao povo powhatan, que lhe abraçou com um dos seus, ou ser fiel aos irmãos ingleses? Somente no fim da leitura, que podemos compreender um pouco melhor o que se passa na cabeça de John e de seus questionamentos. Há momentos em que torcemos para que ele se decida logo, mas quando nós colocamos no lugar dele, percebemos que nem sempre tomar uma decisão é tão simples, e que o mais fácil é fugir mesmo, por mais covarde que seja o ato.

Enfim, "Terra Virgem" é um livro maravilhoso, que possui os ingredientes certos para um romance histórico repleto de detalhes vívidos e inesquecíveis. O mais gostoso, porém, foi dividir a leitura com meu esposo, que foi meu fiel ouvinte das partes que eu mais gostava. Assim como eu, Cristiano adora história, principalmente, se for da história Inglesa ou da 2ª guerra mundial. Contei-lhe dos embates políticos e do desenrolamento dos fatos e no final, ficamos com o desejo imenso de assistir esse importante período em um filme.  Acrescento, porém, que como o livro é extremamente detalhista, talvez alguns leitores tenham dificuldade em se adaptar ao ritmo da trama, mas se persistirem e deixarem-se levar pela leitura, terão uma grata surpresa. Se um dia você puder lê-lo, tenho certeza de que não se arrependerá. Recomendo!


Minha classificação para esse livro é de ♥ 6/7- Excelente.

18 comentários:

Lariane disse...

Precisooo ler com urgência.
Sério. Me apaixonei.

AMOOO livros hist, com absoluta paixão.

Beijocas

Beli disse...

Adoroooo essa autora!

Os livros históricos dela são maravilhosos... pena que o preço dos livros é uma facada!

Adorei esse!

bjusss

αηδψϊηћα ஐβϊττψஐ disse...

Fiquei interessada, vou atrás dele.

Andy_Mon Petit Poison

Dani Fuller disse...

ganhei de natal... e estou louca para ler...

mas ainda estou para ler O amante da virgem.. e ai sim vou para esse. nossa.. até agora todos os livros dela eu amei

bjs

Daniela Tiemi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniela Tiemi disse...

Nique, sua resenha ficou maravilhosa! Fiquei com mta vontade de ler este livro. O único que li de Philippa Gregory por enqto foi "A princesa leal", e gsotei bastante. Quero ler todos desta autora!! Bjo.

Nanda disse...

Ei Nique,

Nossa que super resenha, nunca li nada da autora mas agora preciso colocar um na lista. Amei.

bjoo

Vivianne Fair disse...

Que legal..parece bem profundo! ^^

Cláudia Charão disse...

Já tinha lido sobre a autora e pretendo ler algo dela. Maravilhosa a sua resenha Nique :)

Fibra Moral sempre me lembra o Harry Potter hehe

Bjuss

Ket, la Blair disse...

Eu amo o alto teor histórico dos livros da Philippa. Ela é muito detalhista e realista no que escreve. Fiquei interessada no livro desde a primeira vez que ví esta capa '-'

Mar disse...

Oioi eu sou a Mar do blog
http://letrasdesonhadoras.blogspot.com/

e gostaria d saber se voce aceita parcerias

Thais disse...

Nossa, ótima resenha!
Super completa. Me envolveu totalmente, e olha que não sou fã de livros com fatos hstóricos ou épicos.

Obrigada mais uma vez!

@thaorteg

Lis disse...

Adicionado a lista de próximas aquisições!! =)
Parabéns pelo blog adorei!

Levei seu link parao meu!!!
Parabéns novamente!!! =***


estanteflordelis.blogspot.com

Nica Morgan disse...

Nossa nunca tinha ouvido falar dessa autora (estou meio por fora mesmo).
Parece ser ótimo o livro :) romance histórico e tudo *-*
Legal você compartilhar com o seu esposo *-* Quando eu termino um livro fico contando pro meu namorado o que eu achei dele :)

bjos :*

sabrina disse...

Ei Nickinha, qta coincidência!
Eu vou ocmeçar a ler a série os Tudor, dessa autora essa semana, assim que chegar o primeiro exemplar!
Estou muito ansiosa, porque gosto muito de romances históricos, e tenho lido muitos elogios à narrativa da Phillipa Gregory. Se gostar desses, provavelmente vou querer todos dela! ^_^
Amei a resenha... bjusssss

Meyre disse...

Amo esse tipo de livro, acho que nasci no seculo errado,rsrsrs, ahistoria parece ser muito interessante, cheia de incertezas, gosto disso. Adoraria ler esse livro. bjks

Adriana T disse...

Também amo história inglesa ou da 2ª Guerra Mundial.
Realmente tenho que ler esse livro, já vou colocar na lista.
Beijos

Lu2007 disse...

o livro é realmente mt bem escrito. a escritora mostra que tem MUITO conhecimento da época, como os costumes e etc. Agora, sinceramente, esse livro me deu no saco, muito chato. Que homem em suas claras faculdades mentais iria abandonar seus filhos para ir p continente estranho atrás de uma adolescente? me arrependi de ter comprado esse livro!

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela