"Apátrida" de Ana Paula Bergamasco

quinta-feira, 24 de março de 2011


APÁTRIDA conta a história de um amor que ultrapassou as barreiras do tempo e da distância. Que sobreviveu em meio ao terrível caos da segunda guerra mundial. E provou que apesar das circunstâncias da vida terem os afastados, seus corações permaneceram sempre juntos, em uma só batida. Sobretudo, a vida lhes deu outros amores e os ensinou outras formas de amar, independente da cor, religião ou idade. Conheça "Apátrida" de Ana Paula Bergamasco. 

O amor pode aparecer para você nos momentos mais adversos da vida e nas mais diferentes formas. Para Irena surgiu ainda em sua infância, durante o enterro de um ente muito querido, na forma de um menino moreno e bonito, judeu, filho do médico da cidade.

Irena era uma menina proveniente de uma família pobre, humilde, porém bastante unida pelos laços de amor e afeto. Vivia a brincar com seus irmãos mais velhos nos bosques, onde por alguns minutos esqueciam das dificuldades financeiras pelas quais passavam, onde apenas permitiam-se ser crianças. A diversão entre eles aumenta quando em todo domingo, Jacob passa a fazer parte das aventuras e brincadeiras dos irmãos.


Jacob é um menino judeu, filho do Dr. Yossef, amigo de infância do pai de Irena. Sendo proveniente de uma família abastada, Dr. Yossef trilhou caminhos diferentes e tomou atitudes que acabaram por afastar um amigo do outro. Porém, o que eles não imaginavam é que a amizade entre seus filhos, os uniriam novamente. Jacob e Irena cresceram então juntos, sonhando os mesmos sonhos e dividindo os mesmos segredos.


O inimaginável acontece na vida de Irena, quando Jacob anuncia que irá se casar com uma moça judia, assim como ele. Mesmo os longos anos de amizade não foram capazes de dissolver as diferenças que existiam entre eles, ele era rico e ela pobre, ele era judeu e ela uma goy, que significa uma pessoa não judia. Seu mundo se desvanece e a sorridente menina aos poucos vai perdendo o viço e a saúde. Ela não sentia mais vontade de fazer parte daquela vida, se nela não estivesse junto Jacob. As vezes, após uma tormenta, a vida reserva boas surpresas e uma delas foi Rurik, o segundo grande amor de Irena. 


Rurik é simplesmente o homem perfeito, aquele que nem em seus melhores sonhos, Irena poderia ter sonhado em ter. Com muita paciência, amor e carinho, ele foi consertando seu coração e preenchendo os espaços vazios. Após um namoro breve, eles se casaram e se mudaram para a Bielorússia, onde vivia a família de Rurik. Lá Irena conheceu pessoas simples, que a fizeram desfrutar de imensas felicidades ao lado do marido, mas também conhecer o comunismo e a dor que ele pode causar. 


De volta para a Polônia, Irena encontra seu país dividido já nas vésperas da segunda grande guerra mundial. Ela assistiu de perto os seus amigos judeus serem perseguidos, entre eles, a família do Dr. Yossef, antes tão influente, agora perseguida. A salvação de muitos judeus foi fugir para a América, exilando-se em países como Estados Unidos, Argentina, Chile e Brasil, porém, os que não conseguiram fugir, viveram terríveis momentos, impossíveis de esquecer para os que sobreviveram.


Irena viveu os anos mais sombrios da guerra imersa na dor, na fome e no desespero, ora sem saber como seus familiares e amigos estavam vivendo, ora com medo de que um dos nazistas a descobrissem como "aliada" dos judeus. Sua força e resistência residiam na consciência de saber que algumas vidas dependiam da dela para viver e que apesar de tudo, lá fora, seu amor ainda resistia. 


~ ~ ♥ ~ ~


Primeiramente, devo pedir desculpas a Ana Paula pela enorme demora que levou para eu ler o livro e outra para resenhá-lo. Indesculpável, eu sei, pois um livro como "Apátrida" não deverá jamais ser esquecido em nenhuma estante, no entanto, como lhe expliquei em um dos emails, minha vida está mais enrolada do que novelo de lã, eu sei! Mas de muitos dos meus hobbies que tive que abandonar por causa da gravidez, trabalho e faculdade, um dos que eu NÃO abrirei mão é do meu blog, mesmo que eu demore um pouco para postar. Ana, por favor, me desculpe!


Como leitora e espectadora ávida de livros e filmes sobre a segunda guerra, como esposa de um amante por histórias de guerras, eu simplesmente devo dizer que "Apátrida" não é um livro entre tantos sobre o gênero guerra e sobre o tema holocausto. Com uma narrativa fluente, Ana Paula Bergamasco envolve o leitor com uma história inesquecível e impossível de não ser apreciada. 


Com personagens muito bem construídos, o leitor acompanha o crescimento da personagem principal, Irena, durante as diversas fases de sua vida, desde a infância até sua idade madura, onde ela nos conta sua história. É uma surpresa enternecedora, perceber como Irena desabrocha nos braços de Rurik, após o primeiro grande desafio de sua vida, que é a perda de seu amor Jacob para outra mulher. De menina, ela transforma-se em mulher e vive os melhores anos de sua vida ao lado de um homem maravilhoso. Porém, seu amadurecimento realmente surge com a chegada da guerra, onde sua coragem e força serão testadas até o limite. 

Um dos fatores importantes a ser destacado está no poder da autora em nos fazer vivenciar a história sob a ótica dos personagens, dividindo com eles suas paixões, suas dores e amores. Apátrida conta não somente a história de uma personagem entre tantas outras da literatura, ela conta sobre as aventuras e dissabores de milhares de pessoas que viveram naquele período tenebroso e que por isso mesmo não devem ser jamais esquecidas. 

Porém, apesar de eu ter apreciado bastante o livro, devo ser sincera ao dizer que em alguns momentos, achei meio novelesco como Irena sempre descobriu o destino de seus entes familiares e amigos durante o período da guerra. O reencontro com alguns amigos do passado é até justificável, mas todos eles, achei meio fantasioso. Porém, esses detalhes não diminuem a emoção e intensidade do livro. Acrescento que APÁTRIDA foi o primeiro livro do ano a entrar para o meu TOP TEN 2011, por isso, digo com muito orgulho que RECOMENDO.




Minha classificação para esse livro é de ♥ 6/7- "Excelente".

12 comentários:

Bruna Tavares disse...

Este livro é MARAVILHOSO! Todos deveriam ler.

Adriana T disse...

Ótima resenha também amei Apátrida, me apaixonei por Rurik, chorei horrores com tudo que aconteceu com eles.
Concordo com você que algumas coincidências na vida de Irena foram um pouco exageradas, mas como vc disse isso não prejudicou muito o livro que no geral é perfeito.

Adriana disse...

Todo mundo ta falando tão bem desse livro que eu to louca pra ler logo, só de ler a resenha já vi que é uma história tocante, tenho certeza que vale a pena ler! Bjo!

Danni disse...

Eu ainda não li o livro! Mas ele já estava na listinha! =)
Depois da sua resenha, eu tenho que comprar urgeenteee!! Adorei!
Gosto quando o livro envolve a nossa história. Uma história real, de causas, reais, de dores, sofrimentos e amores possíveis. Eu amo o mundo sobrenatural. Mas é sempre muito bom quando leio algo assim. Fatos que realmente fazem/fizeram parte de nossa história.

MoniqueMar disse...

Gostei muito da resenha, ficou ótima.
Já tenho o livro, mas ainda não consegui ler.
Bjkas!
Monique

ana paula bergamasco disse...

Olá, dominique, tudo bem?

Agradeço-lhe a resenha, o carinho e a amizade. Ficou linda e bem elaborada!

Espero que tenha muitas felicidades nesta nova jornada de mãe.

Um grande abraço, ana

sabrina disse...

oi Nick!!
Nuss, amei a resenha!

Li o livro no ano passado, e também entrou pro meu TOP.
Gostei demais, chorei horrores, fiquei chateada horrores com o destino de certos personagens...

Enfim, é um livro que sempre vou recomendar, merece um lugar especial em minha estante =)
bjusssssssss

thaorteg disse...

Oi, Dominique

Poxa, estou muito ansiosa para ler este livro. Desde o lançamento estou me coçando para comprá-lo. Gostei muito da capa e todas as resenhas que li até hoje. A sua tbm! ;)

@thaorteg

Livy disse...

Olá, Dominique...
Gostei muito da sua resenha. Estou lendo o livro agora, e infelizmente, tenho que discordar de você em um fator: não acho que os acontecimentos da vida de Irena, e até mesmo o modo como ela descobre as mortes de seus parentes, ou o fato de ela reencontrar seus amigos (mesmo que sejam todos), como algo impossível ou novelesco.
Afinal, a vida é imprevísivel e surpreendente, e muitas vezes nos acontecem coisas que nem mesmo acreditamos, de tão incríveis.

Nada é impossível!

Livy
http://nomundodoslivros.blogspot.com

Fátima Menezes disse...

Adoro quando o autor confere a resenha do livro e vem comentar. Esse, sim, merece a alcunha de autor. Parabéns, Ana Paula! Essa interação com os leitores faz toda a diferença. Nunca perca a humildade e a gentileza. Você vai longe. :)

Estou tentando entrar no Book Tour do seu livro lindo. Gostei de Apátrida desde a primeira vez em que o vi. Segunda Guerra, amor, desilusão, perseguição... um enredo muito rico. Acabo de ler um ótimo romance ambientado na Segunda Guerra (Como Romeu e Julieta. Tem resenha no meu blog. Muito bom mesmo!) e não vejo a hora de conferir outro. Sempre estou disposta a dar uma chance a autores que tentam colocar um pouco de brilho (esperança?) nesse período tão sombrio de nossa história, sem, contudo, negar os horrores da época.

Ana, parabéns pela obra. Dominique, parabéns pela resenha. Você me deixou com mais vontade ainda de ler Apátrida.

Beijos,

Fátima Menezes - @fatimamd
http://recantodecaliope.blogspot.com

Marília Maciel disse...

Não me perdoo nunca por ter perdido esse livro por não ter respondido no prazo a uma promoção que ganhei...inicialmente me apaixonei pela linda capa, e o fato de ser escrito por uma escritora brasileira também me atraiu a atenção.
Adorei a resenha, muito bem escrita. Fiquei com mais vontade ainda de lê-lo. Espero ter a oportunidade um dia. São tantos livros bons por aí e tão pouco tempo...
Apátrida é o tipo de livro que eu gosto: que atravessa vários anos, mostrando todas as fases da vida dos personagens, com suas mudanças. Fiquei curiosa para saber um pouco mais sobre o amor de Irena por Jacob enfim terá a chance de viver com ele um grande amor, em meio ao caos e à guerra?

Fábia Gon disse...

me lembrou de um dos meus preferidos " a menina que roubava livros".........já me cativou, ainda + pela sua resenha inspiradora

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela