"O Espantalho" de Michael Conelly

terça-feira, 17 de maio de 2011


“O Espantalho”, de Michael Conelly, não é nada disso que você está pensando.

Digo isso porque eu pensava assim quando peguei o livro em mãos. A começar pela capa, vermelho-preto-branco, não sei por quê achei que se passava em Nova York; mas não, se passa na Califórnia – ao menos boa parte da história. Em segundo lugar, o título: Espantalho. Achei que se tratava de alguma coisa tipo assassino no centro-oeste americano que gosta de atacar no meio das plantações.

Não é nada disso. E isso é o único spoiler que vou dar ainda que não seja um spoiler, pois acho que saber essa informação aproximará o leitor do livro, e não o contrário.

A sinopse é bem tímida ao dizer que se trata de um repórter do Times, Jack McEvoy, que é demitido e que decide aproveitar seus últimos dias para escrever a grande matéria de sua vida, ao mesmo tempo em que é incumbido da humilhante tarefa de treinar seu próprio substituto, a recém-graduada Ângela Cook.

É muito mais do que isso. Os personagens são bem construídos e como o personagem central é um mero repórter e não um agente do FBI ou um policial, a sensação é a de que o leitor vai acompanhando Jack em seu passo a passo, aprendendo e descobrindo as coisas junto com ele, já que estamos juntos nessa sombra que é o não- saber sobre o desconhecido – o Unsub.

Lendo a breve biografia do autor, percebi que ele foi repórter policial por dez anos antes de se tornar escritor. Fiquei me perguntando até que ponto eu não estava lendo as próprias anotações pessoais de Conelly acerca do mundo, pois através de Jack McEvoy descobrimos os intrínsecos buracos e as verdadeiras facetas que envolvem o mundo jornalístico, que por sua vez não é muito diferente do que acontece em muitas outras repartições públicas e privadas da sociedade.

Para os fãs de seriado policial, não haverá desapontamento: está no livro uma agente federal especialista em psicologia criminal do FBI/UAC, o repórter indignado com a sociedade e que quer fazer a sua parte por um mundo melhor e, claro, o suspeito extremamente inteligente e meticuloso que não deixa nada a desejar para os fãs desse tipo de literatura.

E para os que se preocuparam, como eu, de não ter lido os outros livros de Conelly antes: embora seja sempre melhor seguir a linearidade das coisas, começar por O Espantalho não influi em nada. Não há nada ali que conte coisas drásticas dos livros anteriores e talvez seja até melhor começar por este, já que, como disse, tem-se a impressão de estar realmente próximo do autor.

A dica é comprar o livro e devorar a leitura o quanto antes, afinal, a editora já confirmou a vinda do autor para a Bienal do Rio em setembro.

E, claro, depois da leitura desse livro, nunca mais comerei Fandangos.


Por Janda Montenegro.

5 comentários:

Leituras e Fofuras disse...

Nossa a resenha me deixou querendo mais ainda ler o livro! Adoreiii.
Assim que soube dele, apesar de não ter lido nenhuma obra do autor, eu quis ler.
A capa é muito legal e o tema parece tb, gosto de livro policial. Acho que esse eu vou gostar!
É bienal ele vem por aí, preciso do livro!

Bjs.
The Lost Girl
Leituras&Fofuras

Giulia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriana disse...

Eu tenho certeza que já tinha comentado nessa resenha...deve ter sido antes da pane no Blogger! Enfim, eu adorei a resenha, a história policial promete, adorei, vou comprar assim que possível!

Rodrigo Pereira disse...

Bom saber que não é o que eu estava pensando também! haha
Mas agora fiquei com mais vontade de ler esse, adoro todo tipo de romance policial.

Nica Morgan disse...

Não conhecia (acho) esse autor, então ele tem outras séries interligadas? Vi agora no Skoob, ele tem muitos livros mesmo! Vou dar um procurada mais a fundo pra saber a "sequência" deles.
Gostei muito da resenha Janda, e fiquei curiosa do porque você não vai comer mais fandangos! ahuahuahuahhauhua

beijos beijos :::

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela