“Um Brasileiro em Berlim” de João Ubaldo Ribeiro

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Debutei em João Ubaldo num dia que foi recheado de Ribeiro.

Cedo de manhã, acordei para comprar os ingressos pra FLIP deste ano. Consegui comprar todos, menos o do João Ubaldo (que estranho!, pensei eu) e passei o resto do dia borocochô remoendo o quanto eu queria ouvi-lo falar. Eis que no fim da tarde chega o livro Um Brasileiro em Berlim, graciosamente enviado pela editora Objetiva para que eu pudesse resenhar para vocês (parece que adivinharam o dia que deveriam enviar!), de modo que à noite, como tem feito muito friozinho aqui no Rio, eu fui dormir com o Ubaldo.

Comecemos pelo título, que é simples, objetivo e apresenta o que de fato é o livro: o produto resultante dos 15 meses que João Ubaldo viveu com sua família em Berlim, a convite do programa DAAD no Goethe Institut – para quem não sabe, é um dos muitos programas que convidam artistas para morar em outros países durante um determinado período, sendo pago para tal, e em troca eles viram uma espécie de embaixador cultural do Brasil, mostrando suas inspirações, seus trabalhos, dando palestras, etc. É o tipo de programa que todo artista gostaria de participar, mas que na real, nem todos teriam os brios para levar adiante. João teve.

Com sarcasmo realista, bom senso, humor e muita, muita curiosidade de desbravar essa tal de Alemanha, João Ubaldo mostra as peripécias que teve que desenvolver para se adaptar à outra cultura, ao mesmo tempo em que descobria em si mesmo a (falta de) brasilidade inerente em todo brasileiro, que não conhece a Amazônia, não vê índio todo dia no ponto de ônibus e não caça o próprio jantar. Parece piada? O pior é que não é. Eu, por experiência própria, em pleno anos 2000 estive nos Estados Unidos e conheci pessoas que me perguntavam seriamente se nós vivíamos em árvores e se tínhamos pipoca de micro-ondas aqui.

“Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza – e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas nos horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia a Wermacht com batucadas nos momentos mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.”

Vai dizer que não?

Não bastasse ser brasileiro, baiano, não saber falar alemão e estar com toda a família a tira colo em plena Berlim, João Ubaldo ainda por cima está na Alemanha em plena época de queda do muro de Berlim e da reunificação das partes desmanteladas do país. É pouco ou quer mais?

Fiquei com a sensação de que desbravei a Alemanha junto com o João Ubaldo, e agora quero poder fazê-lo de verdade (terminei o livro e fui checar a validade do passaporte). E que eu fazia parte daquela (louca) família de brasileiros que, com seu jeitinho cheio de dendê, conquistou aquele país cheio de índios albinos.


Janda Montenegro.

5 comentários:

Fernanda disse...

Perfeito,já vou correndo comprar para poder ler, rs!

c8ris disse...

bem interessante e parece ser dinâmico ^^

Daiane Santo disse...

Muito boa a sua resenha! Fiquei encantada com a percepção sobre o livro.

Evelyn Chen disse...

Baiano, que não fala alemão, na alemão ... aff que confusão.
Quando vi a capa e o título do livro, achei que parecia uma porcaria, mas devo dizer que gostei do enredo do livro.

Cassia disse...

Olha que legal meu Blog é novo e tem muitas novidades confira

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Beijos Cassia

http://aleitoracassia.blogspot.com/

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