"A guardiã da minha irmã" de Jodi Picoult

quarta-feira, 10 de agosto de 2011


Até que ponto você iria pela vida de seu filho? Refletiu? E se isso significasse que você está desrespeitando os direitos de outro, o que você faria?

Essas simples perguntas refletem toda a agonia e tensão existente no livro "A guardiã da minha irmã". Agora que eu sou mãe, ficou mais fácil me colocar no lugar de Sara, mãe de Anna, Kate e Jesse. Por outro lado, também sou irmã e ser humano, logo também não ficou difícil colocar-me no lugar de Anna e sua conturbada história. 

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Anna é uma adolescente de 13 anos, diferente de outras meninas de sua idade que vivem passeando pelo shopping, frequentando festinhas e as casas das amigas, ela vive a maior parte do seu tempo no hospital. Não porque ela esteja doente, embora pareça estar, e sim, porque é doadora compatível de sua irmã Kate, que tem um caso raro de leucemia. 

Concebida por fertilização in vitro para ser a doadora perfeita de médula óssea, Anna nunca se incomodou em ajudar a salvar a vida de sua irmã mais velha, que desde pequena sofre com a terrível doença. Conforme cresce, Anna percebe que sua vida é movida em função da saúde de sua irmã. Ela não poderá nunca viajar, estudar no exterior, fazer faculdade em outra cidade ou quem sabe até atualmente ficar um pouco mais em uma festinha na casa de uma amiga, pois no momento em que Kate tiver uma recaída, Anna terá que estar por perto para salvá-la.  

Uma decisão mudará toda a sua vida e a vida de sua família. Anna decide processar seus pais e pedir ao tribunal, sua emancipação médica, ou seja, apenas ela poderá decidir sobre qualquer tratamento médico que envolva sua saúde. Toda ação tem uma reação, no caso de Anna, sua decisão terá efeitos trágicos para sua família, principalmente, para sua irmã.  

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"A guardiã da minha irmã" é um dos melhores livros que li esse ano, posso afirmar também que do gênero drama, ele também se destaca em minha estante. Como todo drama familiar, essa história é complexa e não existe uma resposta certa para nenhum dos casos abordados no livro. 

Jodi Picoult conseguiu trabalhar muito bem as motivações de cada personagem. Se por um lado, Sara deseja salvar Kate, por outro, ela precisa sacrificar a saúde de Anna, uma menina saudável, para conseguir a saúde da primeira. No final das contas, em ambos os lados, todos saem perdendo e é nessa encruzilhada, que eu me questionei: se fosse comigo, o que eu faria?

Os capítulos são divididos, de acordo, com os personagens do livro - Anna, Sara (mãe), Jesse (irmão mais velho), Campbell (advogado), Julia (serviço social) e Brian (pai). Dentro dessa divisão, ainda há a separação pelos dias da semana, o que dá para o leitor acompanhar em quantos dias levou o processo de Anna na justiça. É interessante destacar que os capítulos referentes a Sara, a mãe das meninas, começa a ser descrito no ano em que Kate fica doente, evoluindo conforme as recaídas da menina até chegar aos dias atuais. Esse feedback do passado, mostra os motivos pelos quais Sara teve que tomar algumas providências, muitas delas dolorosas para toda a família. 

Jesse foi o personagem que eu mais gostei. A forma como a doença da irmã afeta sua vida é impressionante e também muito triste. Minha vontade durante a leitura, apesar de ele aprontar muito, foi de entrar na história e abraçá-lo e dizer que tudo ficaria bem, apesar de tudo. 

Muito mais do que um livro com tema polêmico, essa história trabalha sobre o que significa SER família, o que é TER uma amizade e como até mesmo o amor pode destruir (caso Jesse para quem leu). Impossível não refletir sobre nossos conceitos. Eu gostei do livro, mas não concordei com o final, que me decepcionou. Tinha outras maneiras de terminar, peloamordedeus, Picoult. Apesar do desabafo, recomendo o livro.

Parabéns a editora Verus por ter mantido esta capa - muito linda -, ao invés da capa do filme. Aliás, o filme já está aqui em casa e o verei ainda essa noite. Espero que seja tão bom quanto ao livro. Só não entendi o porque eles mudaram o título, já que "Uma prova de amor" não tem nada a ver com a trama. 


Minha classificação para esse livro é de ♥ 5/7- "Muito Bom".

3 comentários:

Hérida Ruyz disse...

Oi Nique!
Saudades de vc! Adorei sua resenha, mas o livro parece ser triste. No momento estou fugindo de coisas deprê. rsrs
Bjs

Adriana disse...

Com certeza é um livro polêmico! Mas morro de vontade de ler, mesmo sabendo que vou chorar litros, amei sua resenha, bjo!

Fellipe ramos disse...

Já li algumas resenhas sobre este livro e a cada resenha que leio fico mais curioso para lê-lo, porque esta história parece ser muito emocionante, eu não me lembro de ter lido sobre os capitulos serem divididos por personagens, gostei desta ideia porque parece ser muito interssante, e é bom porque você pode sentir o sentimento de cada um sobre a doença e sobre a vida que a Anna leva. Durante esse livro deve crescer um grande sentimento de indignação por parte do leitor, porque a historia parece ser muito real, e ver o que a Anna passa deve ser angustiante!

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela