"Aprisionada" de Lauren DeStefano

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


"Ele tece seus dedos nos meus e eu permito, sinto o calor úmido das palmas das suas mãos contra as minhas. Forte. Vivo. Então percebo que estou as apertando tanto quanto ele aperta as minhas. E aqui estamos nós: duas pequenas coisas morrendo, enquanto o mundo acaba a nossa volta como folhas de outono caindo".
(tradução livre)*


Os órfãos Rhine e Rowan Ellery são irmãos gêmeos de 16 anos que lutam para sobreviver no que sobrou do mundo. E sobrou muito pouco. Tudo o que restou do planeta foi os EUA; o resto do mundo simplesmente não existe mais.
E, as mudanças não param por aí, graças à ciência moderna os seres humanos desde o nascimento têm seus dias contados: os homens vivem até os 25 anos e as mulheres até completarem 20 anos de idade. Trata-se de uma consequência da mudança genética que livrou a humanidade do mal do câncer e diversas outras doenças.  Contudo, todos os que nasceram após esta primeira geração possuem uma bomba-relógio: contaminados por um vírus que ninguém consegue encontrar a cura.
Por esta razão, meninas já em idade de reprodução são capturadas pelos "Coletores" e compradas por homens ricos que as obrigam a viver em um casamento polígamo cujo objetivo é preservar a humanidade da extinção.

Além disso, há um grande número de crianças órfãs, já que seus pais morrem muito jovens – algumas são criadas em orfanatos, outras vivem nas ruas e lutam para sobreviver como podem, mas todos de qualquer forma são obrigados a se tornar adultos mais cedo já que possuem tão pouco tempo de vida. Mas este não é o caso de Rhine e Rowan. Seus pais faziam parte da primeira geração e eram cientistas que lutavam pela cura do vírus, mas foram mortos pelos naturalistas – os que acreditam que os serem humanos não devem mais se envolver em experiências e se conformar com as coisas como estão. Desde que perderam os pais, os gêmeos vivem sozinhos em sua casa, cuidando um do outro. Até Rhine ser capturada e vendida.

Obrigada a casar com Linden Ashby e a conviver com suas outras duas esposas, Elle e Cecily, que são “sisters-wives” (esposas-irmãs) de Rhine. Apesar da vida confortável na mansão, do genuíno carinho que Linden nutre por suas esposas, especialmente por Rhine, e da amizade que cresce a cada dia entre as elas, o único objetivo de Rhine é fugir e voltar para a casa e seu irmão Rowan. O maior impedimento encontrado por ela não é apenas os muros, mas principalmente o poderoso e impiedoso pai de Linden. Um homem poderoso e inteligente que faz parte da primeira geração e que procura incansavelmente pela cura do vírus.

Com a ajuda de um serviçal, Gabriel, por quem se sente cada vez mais atraída, Rhine planeja fugir e aproveitar os poucos anos que lhe restam de vida em liberdade.

Apesar de a história ser muito interessante, a sensação durante a leitura que nada acontece é constante. Isto por que este não é, definitivamente, um livro de ação e aventuras, mas um drama psicológico. Praticamente a história toda acontece pelos pensamentos de Rhine: ela se lembrando do irmão, dos pais, da infância; questionando a vida e o amor, a doença e a morte, a liberdade, e analisando as dificuldades de ser livre contrabalanceada com o conforto de viver naquela prisão. Ainda assim, a liberdade é algo muito valioso, especialmente para quem tem tão pouco tempo de vida. Mas são poucas as tentativas de fugas de Rhine que passa a maior parte do tempo devaneando do que agindo ou planejando.

O romance é morno demais. Nem Gabriel, nem Linden me agradaram o suficiente. E química nesta tentativa da autora deste triângulo amoroso, definitivamente não funcionou. Senti falta de mais testosterona nos dois personagens. Linden é ingênuo e bondoso demais e Gabriel é muito submisso.
O que eu realmente gostei na história foi a relação entre as esposas. A amizade entre elas é genuína e chega a ser tocante. Cada uma delas tem personalidades distintas e possuem suas próprias histórias, mas estão ali naquela mesma situação, e então aprendem a conviver, a confiar e até a amar uma a outra como verdadeiras irmãs depois de certo tempo.

O desfecho da trama não chega a ser surpreendente, mas fiquei curiosa quanto às possibilidades deixadas para a continuação. Então, sim, quero ler o próximo livro desta trilogia. E tenho esperanças de que será melhor do que este.

Trilogia "O jardim químico":

Livro 1 - "Aprisionada" (2011)
Livro 2 - "Fever"


Minha classificação para esse livro é de ♥ 4/7- "Bom".

*Li a edição em inglês.

Por Daniela Tiemi.

7 comentários:

Sora Seishin disse...

Oi meninas!
Comecei a ler a resenha pensando: uau, essa história parece ser boa!
Mas pelo jeito ela decepcionou, né. Não gosto de livros parados, acho que também não iria curtir a leitura.
Beijos,
Sora - Meu Jardim de Livros

João Victor disse...

Oi ..

A capa do livro é bem legal, mas pelo visto a história não é tão boa assim né?

Enfim, quem sabe um dia eu me atrevo a ler, rs.

João Victor
Amigo do Livro
http://www.amigodolivro.blogspot.com/

Mikaela Brasil disse...

Que livro diferente! Achei legal a sinopse, daria um excelente filme. O chato é quando oo autor tem um história ótima mas esquece de desenvolver os personagens, como você falou. Adorei a resenha, vou prestar atenção nesse livro, apesar de tudo.
Beijos!
Pérolas e Pipocas

Lívia Carolina disse...

Oi Dani

Eu li uma resenha sobre o livro há um tempo, e se não me engano, também dizia que o livro era morno... rsrsrs

Achei a capa linda, mas ainda não me deu aquela super vontade de ler!

Bjos

Niii disse...

pena que não foi tão bom Dani
essa capa é tãooooooooooo LINDA e o povo fala tão bem =x
mas ainda quero ler!

bj

Patricia Lima disse...

Acho essa capa simplesmente MARAVILHOSA *O* então quando anunciaram o lançamento no Brasil, fiquei beem curiosa =)
Confesso que pelo que você contou, ele é bem diferente do que esperava, e não num sentido bom.
Personagem masculino com falta de testosterona não dá muito certo pra mim HAHA
Mesmo assim continuo querendo ler, claro que não vou ter mais altas expectativas pra não me decepcionar (;

Bjs! =*

Fellipe disse...

Eu li esse livro e gostei muito, foi o meu favorito do ano, você tem razão em tudo o que falou,o romance é mesmo meio morno e a cumplicidade das irmas chega a ser tocante, mas eu gostei muitoo do livro, a narrativa me prendeu muito e eu gostei muito dele ser distópico, espero ansiosamente pela continuação!

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela