"Lucíola" de José de Alencar

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


Quase todas as pessoas que leram este livro, leram-no em época de colégio. É verdade. Mas é verdade também que dentre todos os livros obrigatórios nessa época, "Lucíola" é um dos poucos que mostram a força que uma mulher pode ter em uma sociedade, tornando a narrativa atemporal e colocando Lucíola, junto com Capitu, no hall da fama da literatura brasileira.

Na primeira metade desta novela, encontramos principalmente o conflito social entre os personagens, principalmente entre Sr.Silva (Paulo) e Lúcia e entre eles e o resto da corte. Um Rio de Janeiro da metade do século XIX, ainda capital do país, recebendo diariamente levas e levas de estrangeiros e nativos que tinham passado longos períodos no estrangeiro, era uma cidade em constante modificação, ainda que os costumes interrelacionais permanecessem os mesmos. É assim que Paulo vê Lúcia pela primeira vez, e se apaixona.

Só que Lúcia é uma cortesã de luxo.

A partir daí, lemos um cem número de artifícios criados pelos "amigos" de Paulo para alertar o pobre coitado de que sua fama está correndo solta, primeiro porque não podia se relacionar com tal mulher, depois, tendo-o feito, não podia privá-la do usufruto alheio. Atordoado e sem conseguir julgar sua própria percepção, Paulo cede à pressão social, tornando Lúcia uma escrava moral e sentimental e tranformando-se ele mesmo num tirano egoísta.

Mas Lúcia não se dá por vencida e busca sua rendição. Revertendo o jogo da cortesã, é no recato e na religião que ela busca expiar sua consciência. E é nela que enfim encontra a paz de suas angústias.

Ler e reler os clássicos sempre nos abre os olhos para o que hoje acontece. Se hoje "Bruna Surfistinha" faz sucesso, é porque há 150 anos José de Alencar escreveu Lucíola. A história semelhante, o preconceito social e a árdua jornada da protagonista nos mostra que embora tenhamos evoluído tecnologicamente, nossos preconceitos e a malediscência continuam as mesmas.


Janda Montenegro.



Janda Montenegro está participando no Concurso Codex de Ouro, a categoria de melhor autora. A equipe da "Livro, Filmes & Músicas" apoia o trabalho da autora e, por isso, pede a colaboração de seus leitores para votar na Janda. É rápido e bem fácil, basta clicar no link a seguir: MELHOR AUTORA. E obrigada!

 

6 comentários:

Natália Medeiros disse...

Adorei a maneira como a autora escreva, uma maneira clara de se expressar e fazendo com que o leitor se prenda para ler até o fim seu artigo.....

Já votei na autora Janda Montenegro, ela merece.

@amaliaprade disse...

Me interessei

Beli disse...

Eu tenho um problema sério com José de Alencar... li os eus romances 'indianista' para a escola, e odiei... Isso me cegou para outras obras suas. Muitos falam que Luciola é bem banaca! Tenho curiosidade de ler!

Bjuss

Daiane Santo disse...

Muito boa a resenha. Adoro clássicos da literatura brasileira e quero ler muitas obras nacionais, inclusive esta. De José Alencar li apenas os três romances indianistas e Senhora. Eu adoro ele!

Beijão!

Caline disse...

Adoro quando encontro um blog resenhando um clássico nacional, vou logo correndo pra ler e deixar minhas impressões também.

Comecei minhas leituras com os clássicos nacionais e por isso tenho uma paixão especial por eles.

Adoro Lucíola, na verdade José de Alencar é o meu autor brasileiro favorito, todos os livros dele são o máximo.

Acho que a galera jovem de hoje que está começando no mundo literário deveria dar uma chance e conhecer as obras maravilhosas dele.

Beijos, Caline
Mundo de Papel

Dyana Colares disse...

Sou muito fã de literatura brasileira clássica e li esse livro um dia desses e achei maravilhoso! Muitos não sabem quantas histórias ótimas da literatura nacional eles estão perdendo :D
Ótima resenha!

beijos!
www.desejoliterario.com

{Lendo} Dominique

No Facebook:

{Lendo} Daniela