"De Bagdá,com amor" de Jay Kopelman & Melinda Roth

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quando este livro foi lançado, em 2007, peguei um desses teasers de primeiro capítulo e me interessei por seu conteúdo. Na época falava-se muito sobre a inutilidadedas tropas americanas no Iraque, afinal, se os atentados de 11 de setembrohavia sido cometido por afegãos, por que os EUA estavam em guerra com outro país? Entretanto, apenas neste ano, 2012, tive a oportunidade de concluir a leitura –embora o cenário bélico mundial não tenha mudado muito seus protagonistas.
           
O tenente Jay Kopelman era responsável não apenas por sua tropa – chamada de Cães de Lava – como também de ensinar e treinar uma meia dúzia de soldados árabes a falar o inglês e a agir como americano. Um dia, numa incursão pelas sombrias ruas de Fallujah, ele e seu pelotão ouvem um barulho estranho vindo de uma casa abandonada. Certos de que era um homem bomba prestes a puxaro pino da granada, tomam um susto ao descobrir a origem do ruído: uma bola de pelos pequena e faminta, que mais tarde ganharia o nome Lava, em homenagem ao nome do grupo.
           
O livro é vendido ao público como sendo a incrível história de como um tenente se apaixonou por um cachorro vadio nas ruas do Iraque e fez de tudo para salvá-lo. A verdadeira história é que ele não fez de tudo no sentido de desertar do exército e se esconder nas montanhas do Afeganistão. Não, ele não iria tão longe por um mero cão. O tenente Kopelman é um típico babaca americano, a única diferença é que, por alguma razão, ele se compadeceu do pequeno filhote canino e resolveu fazer dele uma espécie de missão de vida,como se o fato de conseguir tirar o cachorro daquele país (sim, porque “salvar”aquela vida, para ele, significava tirá-lo de seu próprio habitat, ainda que em guerra e sendo destruído por pessoas que não deveriam estar lá em  primeiro lugar) justificasse sua matança e perdoasse todos os seus crimes. Além disso, esse “salvamento” se deu muito mais pela ajuda dos outros, e não do tenente em si: diversas vezes ele teve que cumprir missões em outros locais por meses a fio e deixava o cachorro aos cuidados dos soldados ou de sua amiga jornalista. Tudo bem, ele ficava preocupado, pedia notícias, etc, mas todas as pessoas que ajudaram a manteresse cachorro vivo deveriam estar nos créditos do livro, e não apenas ser mencionadas. Mas, claro, isso é uma questão delas.
           
O que vale mesmo na leitura é uma outra visão sobre esta guerra inútil. Por exemplo, eu não sabia que no código de conduta do exército americano há uma cláusula específica que proíbe o contato e a adoção de qualquer tipo de animal por qualquer integrante das tropas – crime este punido com expulsão do grupo. Mais interessante ainda é se perguntar o porquê de isso ser proibido. Não consegue imaginar? Simplesmente porque o contato e a criação de animais por qualquer ser humano cria um vínculo entre eles e com o tempo o homem tende a se humanizar e a se enternecer pelo outro, preocupando-se com suas necessidades e, consequentemente, amolecendo o coração e se tornando uma pessoa mais frágil. Só que na guerra não há espaço para compaixão ou fragilidade, logo, qualquer coisa que possa distrair os soldados se seu foco principal (ser uma máquina de matança que não questiona ordens) deve ser totalmente banida. E isso o próprio Kopelman explica, ao entender o porquê da proibição.

Felizmente a saga de Lava tem um final feliz, ao contrário de muitos livros de cachorro que foram lançados na mesma época. “Final feliz” porque ele está vivo, sendo bem cuidado e tendo uma boa vida, sem o risco de morrer ou ser mutilado a qualquer momento, ainda que o preço por essa vida seja estar longe de seu país de origem. E digo isso porque a mesma cláusula que proíbe o contato com animais também menciona a mesma proibição para o contato com crianças e civis. 


Por Janda Montenegro.

10 comentários:

andressah juh disse...

Não sabia da existência desse livro. Simplesmente fujo de livros que falam sobre animais, porque não suporte quando eles não tem um final feliz. Estou incrédula com essa história de soldados não poderem ter contato com qualquer animal. Já mostra que a intenção não é salvar pátria nenhuma ou qualquer motivo que eles acreditam ser "válido" para matar, mas sim tratar homens como máquinas de matança. Eu leria apenas para conhecer mais sobre essa barbaridade, e leria mais tranquila sabendo que pelo menos não iria chorar com a morte do cachorrinho. Pelo menos não por isso, né.
Parabéns pela sua resenha, extremamente interessante.
Beijos

Cristiane dornelas disse...

Hum...nunca tinha visto esse livro. Sei lá, ele parece legal. Mas esse tema dele, meio diferente. Não sei se é o tipo de livro que eu gostaria muito não =/

Sora Seishin disse...

Oi Janda!
Não conhecia esse livro. Achei legal que ele tem final feliz, porque sempre termino de ler livros de cachorro me desfazendo em lágrimas.
Interessante isso que você comentou, das regras de conduta, eu não sabia que os soldados não podiam entrar em contato com os animais.

Beijos,
Sora - Meu Jardim de Livros

Karolyne Kazakeviche disse...

Que capa mega fofa, gente =)
Amei .... bom, finalmente um livro com um final bom, sobre animais. Nossa, já estava de saco cheio de tragédias, rs.

Maianerossi disse...

''e com o tempo o homem tende a se humanizar e a se enternecer pelo outro, preocupando-se com suas necessidades e, consequentemente, amolecendo o coração e se tornando uma pessoa mais frágil.'' Nossa que triste ter que ler uma coisa dessas, viu. Quando a gente pensa que o mundo está finalmente entrando nos eixos, eu vejo uma coisa dessas, que triste.

Mas enfim, AMEI a capa do livro. Como adorei "Marley e ey", não duvido que eu goste desse também. Ótima resenha!

Veruska disse...

Eu ja li esse livro em 2009...e gostei muito, principalmente pq contem fotos tanto do tenente quanto do cão Lava..
Ainda bem que no caminho dessa bolinha de pelo cruzou um tenente que independente do motivo, conseguiu salvar a vida do cão.
Se ele está no EUA ou em outro pais, tanto faz, o importante é que ele esta sendo amado e cuidado, como todo cachorro deveria ser.
Um otimo livro!

Vanilda Procopio disse...

Não sabia desse livro, mas acho que não encaro essa leitura. Apesar de você dizer que há um final feliz para o cão, filmes e livros com animais me deixam um pouco preocupada ... para falar a verdade, morro de dó. Enfim, gostei muito da resenha principalmente porque concordo com esse aspecto de inutilidade dos combates e ter "um lado" que acha ser o dono da razão e que pode impor sua cultura à força.

Kézia Lôbo disse...

Oo que diferente esse livro, nao conhecia e falando em guerra, tbm acho a guerra algo totalmente inútil, mas o livro parece ser sei lá, diferente, no sentido literal da palavra, como leio todo tipo de livro, se viesse cair em minhas maos, leria, mas sei lá... não correrei atrás comcerteza! Muito boa a resenha, parabens!
http://ofantasticomundodaarte.blogspot.com.br

Nattacha disse...

Nossa, nunca tinha visto esse livro! Ele é bem direfente dos livros de cachorros que estamos acostumados ver por ai né. Confesso que achei um babaca esse cara do livro, e por tratar mais da guerra em sí, nem sei se leria o livro, talvez se o visse na biblioteca publica talvez. Serio pelo que você citou na resenha, ele acha que "ajudar" um pobre cão, ira perdoar tudo o que ele ja fez? Serio não conseguiu me convencer :/
Parabéns pelo texto, gostei muito de ver como o livro é! E de abrir meus olhos, pois pela capa já fui achando que era uma história fofinha e cachorro!
Beijso :*

Suzy ♥ disse...

Dei uma olhada nele lá na Siciliano, é muito fofa as fotos dele <3

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