"O Espião" de Clive Cussler

quinta-feira, 7 de junho de 2012


“O Espião” foge dos paradigmas da editora Novo Conceito, conhecida pelo público por suas publicações açucaradas e capas com casais enamorados. Já por isso é preciso elogiar a equipe de design da editora, afinal, a capa deste livro se destaca não só no catálogo da empresa, mas também nas livrarias, pois conseguiu captar com propriedade a essência noir que envolve as quase quinhentas páginas da trama.

Um homem, especialista em canhões e armamentos bélicos, é assassinado logo nas primeiras páginas, porém, o assassino arma para que tudo pareça um suicídio. A filha deste homem não acredita nessa possibilidade e para limpar a honra do pai, contrata a agência de detetives Van Dorn. Entra em cena o famoso detetive Isaac Bell.

Como toda essa história ocorre lá pelo início do século XX – mais especificamente na época do pré-guerra -, a primeira coisa que o leitor tem que ter em mente é que ele deve se situar mentalmente neste período. Digo isso porque logo de cara involuntariamente estranhamos certas coisas, como o fato de Dorothy, a filha do primeiro homem assassinado, aparecer na Van Dorn com uma saia longa e um chapéu com um véu negro cobrindo o rosto, ou Isaac Bell pegar um trem para atravessar os EUA e isso levar vários dias para acontecer. De vez em quando o leitor tem que se forçar a se lembrar disso, ainda mais se ele estiver acostumado a ler histórias mais recentes.

A trama é bem trabalhada, porém, o excesso de personagens – especialmente nas primeiras 100 páginas – confunde a cabeça do leitor. É um entra e sai de gente que não dá para saber quem de fato é importante, até você conseguir descobrir, lá pela página 300, que perdeu tempo dedicando atenção demais à personagens que não faziam diferença, cuja única função era morrer. Sem contar que muitos deles além de ter seus nomes próprios ainda tinham apelidos e codinomes, ou seja, tudo mais confuso.

Outro empecilho é o excesso de informações bélicas, especialmente nas primeiras cem páginas, quando ainda estamos conhecendo a história e os personagens. Como o livro foi escrito por duas pessoas - um escritor e um pesquisador/historiador especializado em navios e couraçados -, fica claro quando cada um deles está fazendo a sua parte. Acho que dava para contar a mesma história sem ter que fazer uma explicação detalhada de cada tipo de parafuso que encaixa no bocal determinado de um tipo de couraçado superior aos submarinos orientais. (deu pra entender? E isso porque eu consegui explicar alguma coisa, pois o autor faz isso de maneira muito mais complexas)

A trama é bacana e a ideia de fazer um thriller na época do pré-guerra é bem inovadora, posto que salienta a tensão nacionalista vivida por vários países no início do século passado. É uma pena, porém, que isso tudo, somado ao manual de submarino embutido no livro e à confusão de personagens faça com que o leitor continuamente se perca na leitura – e, consequentemente, perca o interesse em terminá-la.

Quem tiver disposição e tempo poderá gostar, afinal, só mesmo com total dedicação e atenção o leitor conseguirá entender alguma coisa do que o autor quis passar.


Por Janda Montenegro.


Veja a cotação do livro no SKOOB  e a opinião de outros leitores.

9 comentários:

alininha_lima disse...

Esse livro está na lista da minhas leituras em Junho, eu adoro esse estilo de livro, espero não me decepcionar. Adorei a resenha.

Adrianatbnu disse...

Achei a proposta do livro bem interessante, gosto muito de livros sobre espionagem, mas assim como você não gosto de detalhes demais, principalmente quando são desnecessários.
Gostei da resenha, bem sincera.

Maianerossi disse...

O livro me pareceu bastante interessante. Mas com esse último parágrafo da resenha... é de desmotivar qualquer um rsrs

Cristiane dornelas disse...

Eu tenho esse livro, mas ainda não li. Gostei da capa dele de cara, achei bem bonita. E gosto do gênero do livro...mas espero que seja bom e que eu goste quando ler :S

Sora Seishin disse...

Oi Janda!
Eu tenho o livro, mas ainda não li. Agora até perdi a vontade, acho que também vou achar confuso, com esse monte de personagens e termos de guerra que não entendo nada.

Beijos,
Sora - Meu Jardim de Livros

Folhas de Sonhos disse...

Oi, Janda! Eu estou lendo esse livro agora! Concordo com muita coisa que vc falou. Há um excesso de nomenclaturas e nomes específicos do meio naval que desconhecemos e isso dispersa um pouco a atenção do leitor. Mas acho interessantíssimo esse momento histórico e com certeza acrescenta muito pra quem está lendo. De fato, estou lendo bem lentamente, pois com tantos detalhes, não dá, rs... Mas estou gostando, muito interessante.

abraços,
Luciana

Andressa disse...

Olá!
Também achei um livro meio incomum para os padrões da Nova Conceito, mas isso prova que eles prestam a atenção em outro tipo de literatura também.
Bem, esse tipo de livro cheio de detalhes que não prende o leitor porque fica confuso é o mais difícil de ler, é aquele que a gente termina a custo! Mas já li resenhas sobre ele em que as pessoas amaram e super indicam. Só lendo pra saber mesmo, e espero ter a oportunidade de ler ele logo! hehe
Parabéns pela resenha!
beijos

Vanilda Procopio disse...

Eu tenho o livro mas ainda não li. O tema me interessa bastante, mas depois que eu soube que uns livros anteriores a ele, que explica melhor a história, fiquei meio desanimada. Mas pretendo ler, sim.

Suzy ♥ disse...

Interessante a resenha. Isso me lembra que participei de uma promo dele, vou conferir pra ver se ganhei u_u

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{Lendo} Daniela