"Espinho de Ferro" de Caitlin Kittredge

quarta-feira, 9 de julho de 2014


Sinopse - Prestes a completar 16 anos, Aoife Grayson sabe que seu tempo está se esgotando. Afinal, em sua família, todos enlouqueceram nessa idade, incluindo sua mãe e seu irmão mais velho Conrad. O futuro da menina parece triste, até o dia em que ela recebe uma misteriosa carta, que reconhece ter sido escrita por Conrad, e decide tentar lutar contra sua estranha herança familiar.
Não demorou muito para que eu soubesse que alguém podia ser queimado por sugerir que tais coisas existiam, independentemente da criação do aço, maquinário e vapor nos laboratórios do engenho. O Departamento de Heresia, em Washington, não aceitava nenhuma fantasia, nenhuma magia. Nada que não brotasse da infecção viral ou da ciência pura. (193 p)

Espinho de Ferro conta a história de Aoife Grayson, uma garota que tem que correr contra o tempo para descobrir uma forma de não sucumbir a loucura como ocorreu com todos em sua família, incluindo sua mãe e seu irmão mais velho, Conrad. Ao completar dezesseis anos de vida, o necrovírus aflora fazendo-os ter alucinações e momentos agressivos. Aoife não quer esse destino! Há meses, seu irmão Conrad fugiu dos fiscais (seguranças da cidade) para não ser enviado para um manicômio, agora, no entanto, ele lhe envia uma mensagem codificada pedindo-lhe ajuda - socorro! O que poderia ter acontecido com seu irmão, afinal? Será uma armadilha? Estará ele em apuros? A mensagem ainda diz que se ela quiser se salvar da loucura, deve partir o quanto antes. Decidida a ajudar seu irmão, ela abandona Lovecraft e parte rumo a uma missão perigosa e quase suicida, pois pode ser presa e condenada pelos fiscais por se aliar a heréticos (fora da lei, que acreditam em magia, bruxaria, ocultismo) ou pior ainda pode ser capturada e morta por um noitibó (um ser humano que outrora fora contaminado por um vírus e virou um monstro). Terá ajuda do seu melhor amigo Cal e do misterioso Dean. Aoife não sabe, mas nunca mais voltará a ser a mesma de antes.

Particularmente, eu não curto o estilo steampunk que alia ficção científica e tecnologia na Era Vitoriana (Século XIX). Demorei bastante a engrenar a leitura desse livro, pois eram muitos termos diferentes para definir o mundo em que vive Aoife Grafson, onde a loucura tornou-se epidemia causada por um vírus e criou também vários monstros que vivem a espreita. Depois de lida umas duzentas páginas, eu ambientei-me ao contexto e comecei a curtir a escrita de Caitlin Kittredge que é brilhante, detalhista e minuciosa. Admito que comecei a apreciar mais a leitura quando a autora incluiu o universo fantástico (bruxas, feiticeiros, fantasmas, vampiros), criando uma história completamente inédita e diferente.

Durante toda a história temos vários mistérios para desvendar, principalmente, segredos da família de Aoife e Conrad tanto do lado da mãe quanto do pai. A história é carregada de suspense e de um perigo iminente que nos contamina, fazendo-nos querer avançar na leitura, mas como o livro é bastante detalhado e cheio de informações importantes, não ler com atenção máxima pode prejudicar no entendimento dos acontecimentos. 

Os personagens são muitos bem construídos, todos guardam segredos, todos tem um motivo para odiar o sistema vigente criado pelo Mestre Construtor, ao mesmo tempo, todos temem a magia. Ele prega a ciência pura e simples, a razão acima de todas as coisas. Tudo o que não pode ser explicado cientificamente, deve ser evitado, temido, odiado. A racionalidade deve vir acima de tudo. Aoife é cética, racionalista e pensa que o mundo deve ser explicado matematicamente, então, quando entra em contato com os primeiros sinais de magia, pensa estar já a caminho da loucura. Seu desenvolvimento na história é lento, mas significativo. Afinal, crenças enraizadas não se mudam da noite para o dia, precisam ser provadas e praticadas. 

Enfim, é uma leitura difícil de acompanhar se você não for um leitor experiente e paciente. Também se faz necessário um conhecimento mínimo da revolução industrial. Passado a dificuldade, é uma leitura brilhante... Desbravadora! 

Minha classificação para esse livro é de 3/6- "Bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

Espinho de Ferro. Kittredge, Caitlin. Editora Rocco, 2012, 515 p.

 Trilogia "O Código de Ferro":

  • Espinho de Ferro #1;
  • Jardim do Pesadelo #2.


3 comentários:

Rayme disse...

admito que não fiquei curiosa não. não é meu estilo de leitura, e não me interessa em nada ;x
acho que se eu fosse pegar para ler iria abandonar logo.. hehe

Sara disse...

Eu achei meio parecido com Simplesmente Ana, no começo :v não bem a história, não sei dizer, mas lembrei dele quando comecei a ler a sinopse rs
Bom, não curto muito isso de leitura com fantasmas, bruxos e tal, mas não é uma história ruim não kk só que como você disse, demorou um pouco pra engrenar né? Isso também acaba acontecendo comigo, mas depois de um tempo passo a amar o livro (aliás, foi meio assim com Simplesmente Ana e também com Esperando por você). Vamos ver o que acontece.... rs Isso vai muito de gostos tbm!
Beijos! :3 :***

Luciana Campos disse...

Bom, não tenho experiência alguma com livros "steampunk", só vim descobrir o que significava isso há alguns dias atrás, e incrível como depois disso eu passei a ver esse tipo de livro em todo lugar! Não sei bem se gostaria de uma leitura dessas, gosto de livros com essa pegada mais sobrenatural, mas não sei se teria paciência de ler 200 páginas sem me sentir ligada à leitura...

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