"O pacifista" de John Boyne

sexta-feira, 18 de julho de 2014



Inglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres a Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. Mas as cartas não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor pode testemunhar o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero.

"Por que eu vim parar aqui?, indaguei. Para quê? Se era redenção o que eu procurava, não havia nenhuma. Se era compreensão, não havia ninguém capaz de oferecê-la. Se era perdão, eu não merecia." 

1919, pós I Guerra Mundial. Tristan Sadler é um rapaz bonito e solitário que guarda muitos segredos. Segredos que são verdadeiros fardos que ele carregará por toda a sua vida. A história de Tristan é emociante, triste e comiserante.

Eu escolhi a sinopse oficial do livro ao invés de escrever minha própria sinopse, como gosto de fazer normalmente, pela simples razão de que não queria me arriscar a contar mais do que deveria. Este é um daqueles livros que quanto menos o leitor souber da trama ao iniciar a leitura, mais interessante o livro será. Eu pouco sabia sobre o enredo quando o li e fui surpreendida positivamente.

O livro é simplesmente lindo! Eu devorei a leitura em dois dias. Esta foi minha primeira experiência com uma obra de John Boyne (autor de "O menino de pijama listrado") e fiquei encantada com a destreza do autor em escrever de forma tão bela e envolvente. A maneira não linear em que ele decidi nos contar a história também deixa o enredo muito mais interessante. Boyne alterna as narrativas entre o tempo presente - a viagem para encontrar Marian, irmã de Will, e lhe entregar as cartas - e o tempo passado - na Primeira Guerra Mundial, desde o treinamento até o combate nas trincheiras na França - fazendo com que os segredos de Tristan sejam revelados aos poucos e prendendo o leitor no desenrolar da trama da primeira à última página.

Faço questão de ler tantas outras obras possíveis de Boyne daqui pra frente. Entretanto, não se trata apenas da maneira como o autor escreve que faz desta história especial como também a trama criada por ele. Ainda estou chocada com o que li. Sinto que posso passar dias e dias refletindo sobre a história. O fato de ter criado personagens tão cativantes também é um ponto a favor do autor. Não há como não se compadecer por Tristan por conta de tudo que enfrentou na vida: pelo fardo da culpa que carrega, o segredo que guarda, a família que o abandonou por não o aceitar como é. E, temos Will. Will que nega até o fim ser quem ele é e sentir o que sente, mentindo para si mesmo. Will que não aceita a crueldade da guerra e decidi lutar por princípios que parecem esquecidos em meio a tantas atrocidades.

Com toda certeza, eu não consegui transmitir toda a comoção que o livro me causou. Tudo que posso dizer é que todos deveriam lê-lo, não só  para relembrar os horrores da guerra e quão desumano podemos nos tornar em meio dor causada por ela - ou por um coração partido -, não só para relembrar o quão difícil pode ser conviver com nossas culpas e remorsos como um pagamento por nossos atos, mas também para lembrarmo-nos que somos humanos, ou seja, somos vulneráveis aos nossos próprios sentimentos.

Livro sensível e enternecedor. Eu recomendo.

"(...) A sua guerra acabou. A minha está prestes a começar."


Minha classificação para esse livro é de ❤ 5/6- "Excelente".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

Pacifista, O. Boyne, John. Editora Companhia das Letras, 2012, 304 p.


2 comentários:

Theo disse...

Visite meu blog: www.imaginaryown.blogspot.com Agradeço#

Sara disse...

Não vou mentir, isso me despertou o interesse. Nunca li um livro assim, narrado como se em momentos de guerra. Será que vou gostar? rs Quem sabe? :))

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela