"Flores Mortais", de Giulia Moon

segunda-feira, 15 de setembro de 2014


Kaori estava gostando daquilo. Descobrira uma criatura singular! Tão alto e pálido, possuía os cílios mais longos que já tinha visto. Isso, mais a delicadeza dos traços fisionômicos, conferiam a Luar uma estranha beleza, ao mesmo tempo masculina e feminina, Máscara sobre máscara. Uma incógnita.
A paulistana Giulia Moon começou a escrever contos sobre vampiros em 2000 e os publicava em sites e blogs. Seu primeiro livro físico de contos, Luar de vampiros, foi publicado em 2003. Em seguida, vieram, em 2004, Vampiros no espelho & outros seres obscuros e, em 2006, A dama morcega, ambos publicados pela Landy Editora, já extinta. Participou de outras antologias como Território V e Amor Vampiro, e neste último surgiu sua personagem mais famosa, a vampira oriental Kaori, que ganhou outros três livros solo.

Flores Mortais traz uma compilação de contos publicados nesses livros anteriores, que já estão esgotados e são raridades hoje em dia, assim como algumas partes inéditas desses contos antigos e um novo, A exótica dama oriental e o inesperado luar, em parceria com o autor Kizzy Ysatis, criador do personagem Luar. Explicações técnicas dadas, já posso começar a dar gritinhos e pulinhos de leitora tiete.

LUAR E KAORI, KAORI E LUAR! Me tremo toda só de lembrar! Dois dos meus vampiros favoritos em TODA A LITERATURA MUNDIAL juntos!!! É muita emoção pra um fã! Fizeram a maldade suprema de colocar este conto no final do livro, o que fez eu me roer de ansiedade e ler o livro todo em duas noites! Mas não foi só o encontro explosivo desses dois que tirou meu sono.

Todos os contos são incríveis. Não é surpresa para mim que Giulia Moon é uma contista de mão cheia, que escreve maravilhosamente bem. O conto Maya me cativou e me fez ir dormir às 3h30 da manhã para terminar as aventuras da vampira Maya e de seu fiel mordomo humano Stephen em Nova York. Sim, deixou um gosto de quero mais indescritível! O outro conto maior, A dama morcega, me surpreendeu ao apresentar um personagem baseado em um famoso escritor brasileiro do início do século passado (nem adianta que não vou dizer quem é... u.u). Até mesmo o conto As vampiras de Kenshin, que foi o que menos gostei, me seduziu e intrigou, por trazer uma protagonista muito parecida com uma outra personagem da literatura clássica nacional (as características físicas e o nome da personagem já entregam, se você for um leitor de clássicos nacionais. Também não vou dizer quem é. Procure no Google e depois LEIA O LIVRO). O conto Dragões tatuados eu já conhecia, e foi ótimo relembrar Kaori e Samuel na antologia Amor vampiro, uma aquisição de Bienais passadas. E, no final, a cereja no bolo, com Kaori encontrando o vampiro Luar na São Paulo do início do século 20.

Agora, os pontos negativos. Apenas dois, na verdade. O primeiro diz respeito a um personagem que sugere-se que tenha morrido em uma das partes de Maya e que reaparece depois, no final. Mas talvez eu tenha entendido mal e ele não tenha realmente morrido, ainda mais por se tratar de um vampiro... O segundo diz respeito a um errinho besta no último conto. Logo no início é dito que era noite do dia 13 de junho de 1913, dia de Santo Antônio, na qual as moças fazem promessas e simpatias para arranjar marido, os frades do mosteiro distribuem o pãozinho sagrado e festas juninas pipocavam pela cidade. Depois, é dito que era noite de Sexta-Feira Santa. Ora, não há Sexta-Feira Santa em junho, a não ser que eu esteja errada. Isso me confundiu durante a leitura, me fez parar, voltar, analisar e ficar encafifada. Mas não roubou de forma alguma o brilho do conto e do encontro dos meus dois vampiros favoritos.

A segunda parte do encontro (ai, meu coração...) está na novela Perfume para Kaori, presente no livro Eterno Castigo, do Kizzy Ysatis, que conta o segundo encontro dos personagens, desta vez em meados da década de 1950. Ambos foram comprinhas obrigatórias da Bienal, e devem ser lidos assim, um após o outro, até porque você não vai ficar se roendo de curiosidade pra ler mais um encontro de Kaori e Luar, não é mesmo? Difícil vai ser não pular todos os contos anteriores e passar direto pra novela no final!



Minha classificação para esse livro é de  5/6- "Excelente".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

Flores Mortais. Moon, Giulia. Giz Editorial, 2014, 224 p. 






8 comentários:

Vivian Rocha disse...

Pela resenha pude perceber que você gostou muito do livro! Nunca li nada sobre contos ainda mais sobre vampiros, não tenho preconceitos contra eles e gosto quando os autores os reinventam a sua maneira. Parabéns pela autora pelas ideias!
Bjs

Gustavo Mendes disse...

Amo contos de vampiros e esse livro me cativou e muito. Fiquei louco para lê-lo, além de ele ter uma capa impecável !

Beijos

http://ummundochamadolivros.blogspot.com.br/

Karine disse...

E nesse são só vampiras, meu bem! Um arraso! Kkkkkkk. Mas, sério, não sou de fazer resenha por gostar da pessoa ou ser amiga, eu realmente amei o livro! Quando puder, leia!
Bjks!

Karine disse...

Gostei muito mesmo! Você pode começar a gostar, temos vampiros excelentes na nossa literatura, que rivalizam com os mais famosos lá de fora. Kaori e Luar são dois deles. Quem sabe. Kkkkk.
Bjks!

Vivian Rocha disse...

Verdade rsrs

Bianca Martins disse...

Não conheço essa autora...
Confesso q n sou mto fã de histórias com vampiros..
N gostei mto da capa...acho q ela poderia ser no estilo das ilustrações..=P

Karine disse...

Mas eu estou aqui exatamente pra isso! Kkkkkkkk! Pra mostrar a vcs esses autores que muita gente não conhece, mas deveria. Rsrs. Eu gostei bastante, acho que ficou bem a ver com o livro. Mas as ilustrações são tudo mesmo! E foi a própria Giu que desenhou.

Wal Bandeira disse...

Não tinha ouvido falar desta autora ainda O.o
Eu geralmente não leio contos, eu não consigo curtir historias curtinhas, mas você adorou rs, eu achei as ilustrações lindas, e vampiros..nunca vou enjoar deles, mas acho que este livro não é para mim,
beijos.

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela