"O Reino das Vozes Que Não Se Calam" de Sophia Abrahão e Carolina Munhóz

quarta-feira, 12 de novembro de 2014


No topo daquele mundo fantástico, quase não se lembrava de família, escola, amigos, inimigos e traições. Só pensava em beleza e liberdade. Sentia-se dona do mundo. (Pág. 44)

Em O Reino das Vozes Que Não Se Calam conhecemos Sophie, uma garota que se sente diferente das demais e que sofre também com a indiferenças das pessoas. Por ter uma compleição física muito magra e alta, uma pele muito pálida e os cabelos vermelhos, ela se sente deslocada e se esconde atrás de roupas muito largas e escuras. Introspectiva, ela também não se sente a vontade dentro de sua própria casa, onde não se sente amada e querida pelos pais. Até sua amizade com Anna, sua melhor amiga, acaba após um desentendimento. Ainda é vítima do bullying por ser muito magra, todos acham que ela é anoréxica e a ridicularizam, mas mesmo que se alimente regularmente, ela não consegue engordar. 

Até que em uma bela noite, Sophie adormece e vai parar em um reino mágico e belíssimo, onde as pessoas a amam e a aceitam do jeito que ela é. O Reino das Vozes Que Não Se Calam reúne tudo o que Sophie sempre desejou beleza por toda parte e não um mundo cinza, sem cor, onde os dias passam devagar, sonolento. Amigos que a adoram, sobretudo, uma família. Sentir-se amada, desejada, querida. 

Seu dilema se torna ainda maior quando começa crescer uma amizade muito grande entre Léo, um rapaz muito fofo e que deseja muito se tornar seu amigo e Nica (Mônica), uma garota que tenta fazer Sophie enxergar quem realmente ela é e que não precisa se esconder do mundo. 

Será que Sophie será capaz de abandonar sua própria família e seus novos amigos para ir para o outro reino? 

Quando recebi da Editora Rocco o livro para resenhar, fiquei primeiramente encantada com a capa do livro que é belíssima. Eu nunca acompanhei nem a carreira da atriz Sophia Abrahão nem da autora Carolina Munhóz, por isso, quando iniciei a leitura estranhei muito a descrição das personagens que era a imagem e semelhança das duas. Comentei no facebook sobre a similaridade e uma amiga me informou que realmente a ideia desde o princípio era fazer Sophie, a imagem de Sophia Abrahão, e Sycret, de Carolina Munhóz. Depois busquei uma entrevista que foi feita com as duas escritoras e a construção da história se tornou mais clara para mim.

A história toda gira em torno do drama vivido por Sophie que se sente diferente das outras pessoas devido a sua constituição física (típica de modelo!). Ela também não se sente compreendida pelos pais e aceita. Ela passa seus dias entre a escola e sua casa, tentando evitar o máximo as pessoas e dormindo a maior parte do tempo e vivendo no seu próprio mundinho interior. 

É bastante claro que a personagem é vítima do bullying (assim como as próprias autoras durante a adolescência) e que essa perseguição piora mais ainda sua depressão e baixa estima por si mesma. Eu admito que fiquei me sentindo um pouco oprimida ao ler tantos sentimentos e pensamentos negativos que a garota sentia por ela mesma. Ela se afogava em auto-piedade, suas atitudes gritavam por ajuda e atenção, apesar dela recusar toda forma de interação com o mundo exterior. Apesar do cuidado das autoras em nos colocar em dúvida sobre a existência do reino, para mim ficou bastante claro que quando ela começa a visitá-lo, uma outra dimensão onde a beleza, o amor, a amizade, a união e a aceitação são na verdade um mundo criado dentro da própria Sophie, uma válvula de escape da sua realidade.

Ninguém pode fazer outra pessoa feliz. Nós precisamos encontrar a nossa própria felicidade. Eu nunca achei que fosse digna de ser feliz. Esse sempre foi o grande problema. (Pág. 251)

A história apesar de ser voltada para o público juvenil, ela faz um convite ao leitor (de todas as idades) para refletir sobre a depressão na adolescência e também sobre as consequências de quem é sofre vítima do bullying. Mais tudo de forma muito delicada, prazerosa e encantadora. Na realidade, a mensagem da Sophia e Carolina são muita clara: todo ser humano possui o poder de mudar sua realidade, de se redescobrir, de aceitar a si mesmo e ao mundo ao seu redor, sobretudo, que uma amizade verdadeira é capaz de salvar vidas. A realidade e a fantasia moram nesse livro. Recomendo!



Minha classificação para esse livro é de  4/6- "Muito Bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.
O Reino das Vozes Que Não Se Calam. Munhóz, Carolina; Abrahão, Sophia. Editora Rocco, 2014, 288 p



Um comentário:

Vitória Pantielly disse...

Oii !
Ganhei esse livro a algum tempo, e ele está na prateleira me esperando, mas confesso que até então eu não tinha lido nem se quer a sinopse, e muito menos alguma resenha dele!
Como amei a resenha vou passar essa leitura na frente das outras..
Realmente, a editora caprichou na edição desse livro, não só na capa, mas no geral pelo que pude perceber, eu achei lindo ..
Nossa, as semelhanças com as autoras são muitas, eu não sabia que essa era a intenção delas, mas conseguiram, quando você descrevia como a Sophie é, eu já estava imaginando a Sophia Abrahão :)

Bjs :*

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