"Ghostgirl", de Tonya Hurley

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Para dormir, agora vou me deitar / E peço a Deus que minha alma possa guardar. / Mas se eu morrer antes de acordar, / Que os populares em meu velório possam estar."
Pense numa pessoa impopular na escola. Pensou? Agora pense numa pessoa quase literalmente invisível. Sim, essa aí é Charlotte Usher. Além de a bichinha não ser popular, ela é invisível aos olhos dos colegas e funcionários da Escola Hawthorne, chegando ao ponto de ter a porta da mesma fechada na cara, porque o porteiro não a viu chegando. Sim, ela é impopular nesse nível. Ninguém a conhece, ela não tem amigos, até seu nome aparece escrito errado nas listas da escola. É como se ela não existisse. Mas Charlotte tem um sonho: ser uma garota popular, como Petula, e namorar o garoto mais popular da escola, Damen. E naquele começo de ano letivo ela tinha decidido que tudo seria diferente: ela se vestiria melhor, falaria com Damen, seria popular! Quando finalmente ela consegue, por puro acaso, formar dupla com o boy magia dos seus sonhos na aula de Física, e ainda dar aulas particulares para ele, uma bala entra em seu caminho. Não uma bala de arma: uma bala de chupar, mesmo, com a qual ela entala e morre, dentro de uma das salas de aula.

É, Charlotte morreu. Não é necessariamente um spoiler, né, afinal, o nome do livro é Ghostgirl (garota fantasma). E agora? Charlotte terá que aprender a lidar com sua nova condição e para isso terá que frequentar aulas de etiqueta para mortos e lá ela encontrará uns colegas bem bizarros que ainda carregam, depois da morte, a sua causa mortis no corpo. Sim, é bisonho DE-MAIS, e por essas e outras que o livro tem um toquezinho assustador, mas nada que te impeça de dormir à noite.

Bom, vocês sabem, a essa altura do campeonato, que eu não gosto de falar muito do livro, fazer resumo, pra não tirar a graça de quem for ler. O que posso adiantar é que Charlotte cisma que Damen é a sua "questão não resolvida", aquilo que mantém os fantasmas ainda aqui, vagando, e que é a chave para sua ida "em frente". Afinal, ela tinha um compromisso com ele, de dar aulas particulares de Física, e essa pode ser sua questão inacabada. Em seu caminho, uma fantasma muito chatonilda chamada Prue e suas próprias dificuldades em se adaptar à sua nova condição, e tudo isso gera situações muito bizarras.

Quem me conhece e lê o livro, logo me identifica com Scarlet, a irmã gótica / punk de Petula, a única pessoa que consegue ver Charlotte. Ela é a minha cara quando estava no Ensino Médio (sem as roupas legais, infelizmente). Uma personagem que aparece sem nenhuma pretensão e vai crescendo na trama até protagonizar uma virada espetacular, que acredito que ninguém espera, totalmente imprevisível e inimaginável até mesmo para a própria. A Charlotte mesmo pode ser bem chatinha e cabeça dura, a Scarlet vem pra ser um contraponto da mocinha. Ponto pra ela.

Leitura na praia.
O livro em si é lindo! A capa vazada em forma de caixão, com o desenho estilizado de Charlotte dentro, é algo que chama a atenção de cara. Dentro, então, ele é maravilhosamente editorado, com páginas decoradas, desenhos de Charlotte e letras de músicas e poemas que têm a ver com o capítulo que vai começar. Um delicioso livro gótico pra quem gosta de histórias de fantasmas, deliciosamente irônico, sarcástico, questionador (até onde alguém vai pela popularidade?) mas leve e divertido. Bom também para quem gosta de histórias de garotas populares, boys magia super desejados e bailes escolares (bem filme americano). Um humor negro permeia a obra, o que torna alguns absurdos aceitáveis (não se fala dos pais de Charlotte, por exemplo. Ela não se preocupa com eles depois que morre, aliás, um defeito que o professor Senhor Cérebro aponta nos mortos adolescentes - o egoísmo). Um livro perfeito para fechar as leituras de 2014 e começar as de 2015 (para vocês verem como é leve, levei-o para a praia e li horrores). Fica a dica para quem gosta de um livro bom e esteticamente interessante.



Minha classificação para esse livro é de 5/6- "Excelente".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

Ghostgirl. Hurley, Tonya. Editora Agir, 2011, 320 p. 




4 comentários:

Any disse...

Gente, fiquei com dó da Charlotte, apesar de rir das calamidades em sua vida, que menina mais azarada!! Me divirto bastante com suas resenhas, Karine.
Capa bastante chamativa desse livro.

Bjos.

Karine disse...

Ah, mas às vezes eu pegava uma raiva dela, por ser tão fútil! Rsrs. Obrigada!
Bjs.

Luiza disse...

Ahhh tenho que ler esse livro.

Bjs

http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

Karine disse...

Leia mesmo! Super recomendo. E tava baratinho no Submarino, 9,90... Rsrsrs.

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela