"A Ilha dos Dissidentes" de Bárbara Moraes

terça-feira, 17 de março de 2015


Antes que Andrei possa me impedir, estou engatinhando em direção à última grade pela qual passamos e a desparafusando. Então, estou fora. Então, estou no inferno.

A Ilha dos Dissidentes faz parte de mais uma distopia de sucesso. E melhor: foi escrito por uma brasileiríssima, a autora Bárbara Moraes. Admito que quando iniciei a leitura estava com "um pé atrás", pois já li várias distopias estrangeiras, é fato que se trata de um gênero de sucesso e que conquistou o mundo inteiro. Ler uma distopia de uma brasileira, primeiro livro da autora, me deixou atenta a todos os detalhes. E o resultado não poderia ter sido mais satisfatório, a história é incrível!

Sybil nunca imaginou que faria parte de um grupo especial de anômalos, pessoas com mutações genéticas e que possuem habilidades sobre-humanas inacreditáveis como um x-men. A jovem nasceu e foi criada em um orfanato em um bairro miserável, localizado na zona de guerra. A fome, a desesperança, a morte sempre fizeram parte de seu dia-a-dia, por esse motivo Sybil é forte, corajosa e tem uma fibra interior inabalável. Seus super poderes chamam atenção do governo quando a menina é a única sobrevivente de um terrível naufrágio, nem ela mesma sabia da existência dele até o fatídico dia. Após passar por diversos testes e ser avaliada por médicos e peritos, ela é designada para uma família adotiva numa cidade especial do continente - Pandora, onde vivem todos os anômalos, reclusos da sociedade "normal" - e para uma escola onde aprenderá e desenvolverá mais suas habilidades para a guerra... Entre anômalos e pessoas normais que desejam dizimar todo e qualquer ser diferente deles. 

A história de Bárbara Moraes mistura elementos de distopia (passado em uma geração futurística) com ficção científica. Entre explicações sobre como funciona o mundo dos anômalos e aventuras surreais de tão perigosas, me peguei em diversos momentos ansiosa e aflita pelo o que aconteceria com meus amados personagens no próximo virar de página.

Sybil é uma personagem inigualável de uma força e coragem tremenda, além de um senso de proteção aos mais desprotegidos inigualável (lembra bastante a Katniss). Há outros personagens de destaque como Andrei, o "par" romântico de Sybil, um gatinho lindo e também corajoso. Também destaco Leon, o "cego", mas inteligentíssimo e com altas habilidades de estratégia. Além de Naoki, Ava e Brian. 

Uma das coisas que mais gostei é a discussão sobre ser diferente em uma sociedade excludente e que se acha superior aos outros e por isso, marginaliza e os trata como escória. Os próprios anômalos sentem-se inferiores e diferentes a ponto de desejarem ser "normais" como as demais pessoas. A passagem que achei mais interessante foi quando Andrei revela que seu pai é um famoso apresentador de televisão, amado e venerado em todo o continente por seu programa de culinária (tipo Ana Maria Braga, rsrs!) e ele se veste de mulher, mas ninguém sabe de sua identidade. Esse fato é um ponto de discussão interessante pois trás a tona sobre o que é ser diferente, por que a sociedade cria rótulos para as pessoas em padrões de "certo" e "errado", "normal" e "anormal". Ponto para a Bárbara!

Enfim, adorei o livro de verdade. Ainda não tenho A Ameaça Invisível, mas assim que possível irei adquiri-lo. Só de escrever essa resenha já estou com saudades dos personagens. Recomendo a leitura!


Minha classificação para esse livro é de  4/6- "Muito Bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

A Ilha dos Dissidentes. Moraes, Bárbara. Editora Gutemberg, 2013, 304 p.


 Trilogia Anômalos:
  • A Ilha dos Dissidentes #1;
  • A Ameaça Invisível #2.



4 comentários:

Karine disse...

Opa! Literatura nacional mandando bem!

Talita Oliveira disse...

O livro parece ser muito bom, sendo nacional então,aumenta mais ainda a minha curiosidade, hehe.
Amo distopias e tenho certeza de que com essa não vai ser diferente, só vou esperar o livro entrar em promoção pra adquiri-lo! Amei a resenha, beijos!!

Any disse...

Oi, Dominique!
Quando li a palavra "distopia" na resenha confesso que também fiquei com um pé atrás, mas saber que a autora é brasileira despertou minha curiosidade. Acabei cativada apenas em ler a resenha, curiosa com o mundo dos anômalos!
Bjos!

Amália Teles Machado disse...

Infelizmente não me interessei pelo livro, não curto distopias, ainda mais quando se misturam com ficção científica. Mas fiquei feliz em saber que é de autora nacional. torço para que mais e mais autores nacionais se tornem conhecidos.

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela