{Livros e Filmes} A Vida Secreta das Abelhas

terça-feira, 7 de abril de 2015

Ponha uma colmeia no meu túmulo / e deixe o mel encharcar tudo. / Quando eu tiver morrido, / é isso que eu quero de você. / As ruas do céu são douradas e ensolaradas, / mas eu vou continuar na minha terra com um pote de mel. / Ponha uma colmeia no meu túmulo / e deixe o mel encharcar tudo."
Há alguns anos eu comecei a ver o filme "A Vida Secreta das Abelhas" pela metade e não cheguei ao final. Depois procurei e acabei assistindo todo, e achei um filme lindo demais. Quando soube que tinha sido inspirado em um livro, bem, vocês sabem do que estou falando, já quis logo ler. E quando uma amiga apareceu vendendo-o, nem pensei duas vezes e comprei (Vanessa, te amo por isso!). E não me arrependi: trata-se de um dos livros mais bonitos que já li! E o que é melhor ainda, a adaptação é SUPER fiel ao livro (amém, ALELUIAS!)


Lily Owens é uma jovem de 14 anos que vive com seu pai chato, resmungão e cretino depois da morte trágica de sua mãe, há 10 anos. Sua única companhia saudável é Rosaleen, sua babá negra. Quando Rosaleen se mete em uma treta maligna e vai presa, Lily vai ao resgate e resolve fugir com ela para... Uma cidade cujo nome está registrado na caligrafia de sua mãe na parte de trás de uma imagem de uma Maria negra: Tiburon. Com apenas essa pista nas mãos, ela parte para a cidade na qual sua mãe pode ter passado um dia e lá ela encontra as irmãs Boatwright, May, June e August (sim, os meses do ano mesmo), que vivem da criação de abelhas e da venda de mel. Na "mágica" casa rosa, ela enfrenta seu passado e se vê desabrochar como mulher e pessoa.

A relação de Lily com Rosaleen é uma das coisas mais bonitas do livro. A proximidade entre uma menina branca e sua babá negra, em plenos anos 1960 no sul dos EUA, lugar onde os negros eram alvos de uma segregação muito intensa (até hoje, aliás), é impressionante e muito bonita. Lily ama Rosaleen como se fosse sua mãe, e não se importa com a cor da pele de ninguém; às vezes até se sente mal ou envergonhada por ser branca, como na casa das irmãs Boatwright, onde se sente deslocada por ser a única pessoa branca. A devoção à Nossa Senhora das Correntes, a Maria negra dos escravos também é algo que rende muitas cenas e frases tocantes:

Porque ao olharem para ela, lhes ocorreu pela primeira vez na vida que a divindade pode ter pele escura. Todo mundo precisa de um Deus que se pareça consigo, Lily.
Também é bonito o modo como Lily, cristã batista criada em uma cidade de grande maioria da mesma fé (que pregavam que o inferno era reservado aos católicos "adoradores de imagem". Hahahaha! É, eu sei, é hilário), abraça a devoção à Maria negra. Ela não se torna católica, mas aprende o que significa a veneração à Virgem e descobre, dentro do seu coração, um pouco da força da Mãe de Jesus.

Essa Maria de quem estou falando está no seu coração o dia todo, dizendo: "Lily, você é minha casa eterna. Nunca tenha medo. Eu sou o bastante. Nós somos o bastante".
O livro é tocante de muitas maneiras. A delicadeza da descoberta do amor, a questão racial, a devoção, o senso de família, de amor, o perdão... Enfim, as abelhas criadas por August são apenas um pano de fundo (lindo, por sinal) para diálogos repletos de significado, e tudo (OH, INCRÍVEL!) sem soar didático e piegas.  O modo como May vê e sente o mundo, do seu jeito peculiar, também ensina uma ou duas coisas sobre empatia e, por consequência, o respeito a todas as criaturas (sim, até pelas baratas. Depois de ler esse livro você vai pensar duas vezes antes de matar uma barata. Sério).


O filme de 2008, produzido por Will Smith e protagonizado por (na ordem da foto acima) Queen Latifah (August), Sophie Okonedo (May), Jennifer Hudson (Rosaleen), Alicia Keys (June) e Dakota Fanning (Lily), com Paul Bettany (O Código DaVinci, lembram? O monge/assassino/maluco do cilício) como T. Ray, o pai de Lily é realmente muito fiel ao livro, de um modo raro. Quem gosta de adaptações e adaptações bem feitas sabe o quanto é difícil encontrar algo assim. O filme é praticamente uma cópia do livro! Algumas passagens ficaram de fora, mas nada que atrapalhasse a trama ou fizesse falta. Uma das diferenças ficou a cargo das aparências: Lily é morena no livro e loira no filme; Rosaleen aparentemente é mais velha do que apresentado no filme, mas como no livro é dito que ela não tem idade definida, não parece nem velha nem jovem, então isso também não faz muita diferença; e August aparentemente é magra, além de alta. Fora isso, o que mais senti falta foi a festa de Nossa Senhora das Correntes, que dura dois dias, e o velório de um personagem, mas nada disso também era muito importante para a história. Tudo está lá, contado da mesma forma delicada e sensível.

Eu super recomendo o livro e o filme também. "A Vida Secreta das Abelhas" é uma história sensível, delicada, inspiradora e muito bonita! Um alento para o coração e a alma. Você vai se apaixonar por Lily e as irmãs Boatwright.

Nós não podemos pensar em mudar a cor da nossa pele. É preciso mudar o mundo, é assim que devemos pensar".

 

3 comentários:

Any disse...

Oi, Karine!
Nunca assisti ao filme nem li o livro, mas a história parece ser emocionante, delicada... e que bom que o filme foi fiel ao livro pois isso é difícil de acontecer.. Obrigada pela indicação!
Bjos!

Karine disse...

Menina, procure! São lindos, tanto o livro quanto o filme, vale muito a pena!

Amália Teles Machado disse...

Que resenha linda, Karine, me emocionei muito. Nunca assisti ao filme nem li o livro, mas com toda certeza quero fazer os dois, principalmente se o filme é fiel ao livro (coisa rara). Adoro dramas que passem essa consciência de que todos são iguais, independente de raça, cor, credo. Acho que são lições de vida.

{Lendo} Dominique

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{Lendo} Daniela