"Cidades de Papel" de John Green

segunda-feira, 17 de agosto de 2015


Dou de ombros. Só quero me lembrar dela. Uma última vez, quero me lembrar dela ainda enquanto ainda espero vê-la novamente.

Nesse romance do premiado escritor John Green, o adolescente Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certa noite, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que Margo desapareceu. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava conhecer.

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Em virtude da adaptação para o cinema da obra Cidades de Papel do queridinho book star - John Green -, resolvi ler o livro e conferir na íntegra a história. E confesso que eu esperava mais, muito mais. 

Quentin e Margo são personagens únicos e fascinantes. Enquanto, o rapaz quer viver no "lugar comum" e previsível que é a vida da maioria das pessoas: sobreviver ao ensino médio, passar para uma boa universidade, apaixonar-se, arrumar um emprego rentável, casar, ter filhos, comprar um imóvel e um carro... Enfim, viver o ciclo interminável da vida. Margo já imagina seu futuro diferente: questionadora, indomável, misteriosa, ela deseja desbravar o mundo e viver mil possibilidades, sem nunca se acomodar. Mas quando ela desaparece após uma noite agitada em que convida Quentin a ajudar-lhe a colocar um engenhoso plano de vingança em ação, ele se sente na obrigação de encontrá-la, trazê-la de volta para a escola, para seus pais, para ele que sempre fora apaixonado pela bela vizinha.

A premissa do livro é ótima e nos convida junto a Quentin a encontrar Margo Roth Spiegelman, mas do que isso, nos impele a descobrir quem ela é verdadeiramente. E a misteriosa garota deixa para trás pistas praticamente aleatórias de para onde foi, deixando Quentin obcecado em encontrá-la! Mas a busca pelas pistas e por Margo devo dizer foram muito entediantes, repetitivas e loucamente bizarras. A parte em que mais gostei do livro foi exatamente a execução da vingança de Margo contra seus ex-amigos da escola, a noite foi elétrica, repleta de aventuras, contratempos, perigos e emoção. Ouso dizer que se o autor tivesse injetado essa adrenalina dos primeiros capítulos no resto da história, ela teria sido emocionante e inesquecível. 

Claro que por detrás da busca incansável por uma garota misteriosa e pistas que podem não levar a nada, também representa a busca do jovem tentando descobrir sua  verdadeira identidade, a inevitável passagem da adolescência para a vida adulta, suas responsabilidades, incertezas, aventuras. O sentimento de que não se encaixa em grupo nenhum e que de alguma forma quer ser diferente daqueles que estão a sua volta. Esses e outros questionamentos o leitor encontra no livro.

O para sempre é composto de agoras - diz Margo. (Citação de Emily Dickinson)

Talvez, eu tenha esperado muito da história, afinal, eu adorei A culpa é das estrelas. Praticamente todos os leitores quando gostam muito de um livro, esperam que o autor desenvolvam outras histórias no mesmo molde fascinante. Mas a leitura valeu a pena pelo final que fugiu a nossa imaginação, surpreendendo-me. Embora tenha confirmado uma ideia que permeou em minha mente durante toda a leitura: Margo Roth Spiegelman é louca varrida! Agora só falta conferir a adaptação, espero que seja melhor do que o livro. Será? 


Minha classificação para esse livro é de  3/6- "Bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

Cidades de Papel. Green, John. Editora Intrínseca, 2015, 368 p.


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