"A Rainha Normanda", de Patricia Bracewell

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quem quer que vá segurar o cetro da Inglaterra deverá primeiro segurar a mão da rainha da Inglaterra".
Resumo do livro: a garota de 15 fucking anos atravessa o Mar Estreito para se casar com um rei meio maluco e psicótico e se mete num jogo político e terá que aprender a sobreviver. Não, não estou falando de Game of Thrones, a garota não é a Danaerys, o rei não é o Drogo e esse não é o jogo dos tronos. Estamos falando de Emma da Normandia, a Rainha da Inglaterra e de AEthelred II.

Emma é irmã de Richard, duque da Normandia, filha de mãe dinamarquesa, uma das famílias mais importantes da época (o ano é 1002 d.C). Depois que o fdp-mor rei da Inglaterra fica viúvo e com 11 (ONZE) filhos, sete deles homens e três aethelings, ou seja, os mais velhos, herdeiros, filhos legítimos, embora a mãe não tivesse sido consagrada rainha (meio complicado, eu sei), seus conselheiros o convencem de que o melhor a se fazer é casar de novo. O casamento de Emma e AEthelred tinha muito mais coisa em jogo: relações políticas entre os nobres, relações internacionais com os vikings que eram tolerados pelo duque da Normandia e até a relação entre pai e filhos, além de disputas pela coroa. Porque, se a jovem noivinha normanda engravidasse, seu filho, mesmo sendo o mais novo dos filhos do rei, poderia ter mais direito ao trono quando crescesse por ser filho de uma rainha consagrada. Tenso, não? Olha só no que a garota foi se meter...

O estilo do livro de Bracewell é interessante e eu passei a admirar depois que li os livros de Javier Moro (autor de O Sári Vermelho e Paixão Índia), que misturam fatos históricos com ficção da melhor qualidade. Esse é o caso aqui: Patricia baseou-se nas famosas Crônicas Anglo-Saxãs e no obscuro livro Encomium Emmae Reginae para enriquecer a história de Emma da Normandia e soltar a imaginação nas lacunas deixadas pela História. Mas vamos nos ater mais à escrita, primorosa, fluida e riquíssima, tanto no contexto histórico quando no político, além do romântico. Pegue personagens reais e romanceie a parada toda e BOOOM! é certo ter um bom livro. Com "A Rainha Normanda" não foi diferente. Emma é considerada uma das maiores rainhas da Inglaterra, e Patricia Bracewell criou uma dimensão forte em torno de sua personagem, que é uma moça bem jovem mas centrada, corajosa, inteligente e astuta. Nada de mocinha mimizenta aqui, senhoras e senhores! A garota tem 15 anos mas já é uma rainha e se porta como uma. E suporta muita coisa também, como uma corte cheia de gente que quer vê-la pelas costas, inimigos políticos, damas de companhia fura-olhos (beijo no ombro, Elgiva), enteados que a odeiam e a veem como uma ameaça e um amor proibido com a última pessoa da Inglaterra que ela poderia amar. Ah, e claro, além de tudo isso um marido muito do fdp, violento, perturbado e meio doido. Era para ter sido canonizada. Ahhhhh, e não posso me esquecer da pressão para gerar um herdeiro, mesmo com o rei não dando a mínima pra ela em matéria de amor e carinho e sexo bom.

O livro segue a linha de pontos de vista em cada capítulo, algo que eu acho muito bom porque torna a leitura fluida. Em um capítulo vemos o ponto de vista de Emma, em seguida de AEthelred, de Athelstan e de Elgiva. Em cada um deles você vê as motivações dos personagens e vai montando a história aos poucos. E vai vendo também as dimensões ricas de cada um deles: o porquê de AEthelred ser tão perturbado (tenta viver com o espectro do irmão assassinado te atormentando de culpa...), os interesses de Lady Elgiva, periguete real, as dúvidas e sentimentos de Emma quanto a tudo o que a rodeia no novo mundo do qual começou a fazer parte e os ideais de Athelstan (ME ABRAÇA!), filho mais velho do rei e herdeiro óbvio à coroa (se você leu minha resenha sobre a série Vikings então você sabe o que eu senti quando vi que o nome do filho mais velho do rei era Athelstan... Sim, foi uma bosta não imaginar o príncipe como o monge. E, sim, todo viking que aparecia eu imaginava como um Ragnar ou um Rollo da vida). 

A extrema riqueza histórica é um prato cheio para quem gosta de romances desse tipo. Quanto ao romance propriamente dito, achei bem fraco; era um amor proibido, sim, mas foi pouco explorado e a... hum... consumação foi descrita de forma rápida, sem emoção, nem deu pra ouvir o coro de Aleluia ao fundo (quando você torce muito pra um casal, rola aquela shippada violenta e quando acontece você fica tipo vibrando como se fosse gol da Seleção, ou do seu time no final do Campeonato). Ao contrário, as cenas de sexo entre Emma e AEthelred, quase todas violentas, humilhantes e frias são descritas com detalhes revoltantes. Você sente mais ódio do que tudo nessas cenas, e só o que você queria era mais sexo tórrido e lindo e apaixonado entre Emma e seu amado, mas não rola. Infelizmente. Sim, amiga, preciso dizer isso para você. Mas isso NÃO diminui o interesse do livro, que é, desculpem o palavreado FODÁSTICO! Leitura mais do que recomendada! A grande merda é que descobri que é uma trilogia e que o segundo livro só foi lançado agora... nos EUA. COMO ASSIM, JÁ QUERO PRA ONTEM! A espera será dura, mas irá recompensar, porque Emma da Normandia tem tudo para crescer ainda mais e mais na história (e na História também, como certamente já o fez).

Minha classificação para esse livro é de  5/6- "Excelente".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

A Rainha Normanda, Bracewell, Patricia. Editora Arqueiro, 2015, 400 p.


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