"A Rainha Vermelha", de Victoria Aveyard

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Não entendo nada. Não pertenço a este mundo. Julian estava certo: é um jogo que eu não entendo, um jogo que não sei jogar.
"A Rainha Vermelha", livro de estreia de Victoria Aveyard, conta a história de Mare Barrow, uma garota vermelha. Sim, vermelha. O mundo de Mare é dividido entre vermelhos e prateados, onde os prateados são as pessoas que têm algum dom ou poder especial e os vermelhos os que não têm, os inferiores, os que fazem todo o trabalho pesado e braçal, os subjugados. E quando falo em vermelho e prateado me refiro ao sangue mesmo, à cor do sangue. É, as pessoas "especiais, diferentonas, barrocas, última gota de sangue prateado" sangram nessa cor mesmo. Pois é, inusitado. Mare, além de não ter nenhum dom, não tem um emprego formal, o que a torna propensa ao alistamento no exército, porém, ela ajuda a sua família realizando roubos, ocupação que não traz lá muito orgulho para a família Barrow, mas que põe algumas coisas dentro de casa. Quando no auge do desespero para livrar a si e a seu melhor amigo do alistamento, ela encontra um desconhecido que lhe arranja um emprego no palácio do rei prateado, tudo muda drasticamente, e é aqui que preciso parar de falar pra não dar spoiler.

O mundo de Mare Barrow, do reino de Norta, não é diferente de outros que você com certeza já conhece. As pessoas são divididas, como em Divergente (facções), Jogos Vorazes (distritos), A Seleção (números), etc. Tudo é documentado, filmado e mostrado para todos os cantos do reino e tem uma arena, como em Panem, e tem até uma escolha da futura princesa, como em Illea, embora com mais ação, porradaria e política e um pouco menos de glamour. Tem pessoas com poderes tipo os X-Men. Mare se enfia no meio de dois irmãos e por vezes sente seu coração dividido, como em 2876648894 livros que você já leu na vida, e tem um amigo que fica sempre na friendzone. Não é novidade. Então por que diabos eu gostei TANTO desse livro? Já vou dizer.

Na verdade, não sei dizer. Pois é, tem livros que fazem isso comigo, eu gosto muito, me sinto envolvida com a história e não sei dar um motivo plausível. Talvez seja a personalidade de Mare: forte, decidida, resolvida, mesmo quando deveria ficar de mimimi ela não fica, se decide rápido e tem opinião, não leva um livro inteiro pra se inserir nas tretas. Eu vou e ponto, eu faço e ponto, e dane-se todo mundo. As coisas acontecem bem rápido, não há aquela famosa "barriga", a "encheção de linguiça" que faz alguns livros se arrastarem: tudo vai acontecendo rápido e de forma eficaz. Aveyard, como boa roteirista que é, sabe nos pôr em dúvida quanto ao caráter de alguns personagens para no final dar aquela reviravolta que te faz querer morder o livro (eu quis morder o livro. Porque é muita filhadaputagem! Dá vontade de matar aquel... Tá, parei. Quase soltei spoiler) Alguns você realmente odeia desde o começo, e aqui estou falando da Evangeline SIM e da rainha Elara SIM, DUAS VACAS! Outros você ama desde o início, como o príncipe Maven, e você vai querer um desses pra abraçar. E outros você vai desejar ardentemente (desculpe o trocadilho, quem já leu), como o príncipe Cal, que é 99% príncipe de Norta e 1% delícia ardente, ou o contrário (tem que ter esse mocinho gostoso pra fazer a gente suspirar, não é mesmo? Já me resignei a isso). Porém, você vai acabar se surpreendendo com alguns desses personagens, e é aí que entra a graça da coisa toda.

A escrita de Aveyard é assim, redondinha, certinha, perfeitinha, mas é envolvente também. Tem ação, tem politicagens, tem glamour, tem pessoas com poderes especiais, uma mocinha que está onde não deveria estar (saindo da periferia direto pros holofotes), tem triângulo amoroso, mas um bem discreto e com pouco "mimimi, eu gosto dele mas gosto do outro também, AIMEUDEUS O QUE EU FAÇO?" porque a Mare não é dessas. Tem revolução e uma mocinha que responde logo um TÔ DENTRO, tem um final PUTAQUEOPARIU, NÃO ACREDITOOOOOOOO, misturado com SEU FILHO DE UMA QUENGA PRATEADA e MEU DEUS DO CÉU, O QUE TÁ CON TESENO? e um gancho para livros futuros que prometem ser incrivelmente bons também, porque essa história vai render. "A Rainha Vermelha" foi minha última leitura de 2015, e quando digo última é última mesmo: terminei no dia 31; e posso dizer que fechei o ano com chave de ouro, uma das melhores leituras de 2015.


Minha classificação para esse livro é de  5/6- "Excelente".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

A Rainha Vermelha. Aveyard, Victoria. Editora Seguinte, 2015, 424 p.


Nenhum comentário:

{Lendo} Dominique

No Facebook:

{Lendo} Daniela