"Identidade Roubada", de Chevy Stevens

segunda-feira, 4 de julho de 2016


Eu não tinha como me proteger, nem como sair. Eu precisava me preparar para o pior, mas eu nem sequer sabia o que o pior poderia ser.
Annie O' Sullivan é uma mulher comum. Corretora de imóveis, a jovem mora sozinha, com a sua cadela Emma, tem um namorado (Luke), uma melhor amiga (Christina) e um passado não tão feliz. Numa saída para comprar sorvete, o seu pai e sua irmã mais velha sofreram um acidente e não sobreviveram, tornando o seu relacionamento com a mãe ainda mais delicado, já que esta vive competindo com a irmã e Annie nunca foi sua filha favorita. 

Em um dia como outro qualquer, durante um plantão do trabalho, Annie é sequestrada. Após atender um homem que dizia se interessar pela casa, a moça é levada para uma van e quando acorda está presa no que futuramente ela descobre ser um chalé no alto de uma montanha. Sem entender o motivo pelo qual foi raptada ou o objetivo do Maníaco, como ela passa a chamar o homem, Annie fica desesperada, mas busca manter um bom comportamento e fazer o que aquele cara lhe manda, afinal, a sua vida pertence a ele a partir daquele momento.

Eu costumava me perguntar: Por que eu? Por que, entre todas as mulheres que podia ter sequestrado, ele foi escolher uma corretora de imóveis, uma mulher que trabalha? Eu não era exatamente a esposa ideal para um homem das montanhas. Não que eu desejasse a alguém o que tinha acontecido comigo, mas não teria sido melhor para o Maníaco uma pessoa mais frágil? Alguém que não causasse tanto problema? Mas percebi que ele sabia o que estava fazendo. O tempo todo.

Identidade Roubada fala não só sobre o sequestro, mas também sobre o processo de restauração, de manutenção da vítima de algo desse tipo. Annie, assim como qualquer pessoa que passa por uma dessas situações, não esperava ser raptada e, após o ocorrido, não tinha noção do motivo daquilo. A protagonista desse livro sobreviveu, mesmo tendo passado um bom tempo em cativeiro, e é a responsável por contar a sua história para o leitor.

A obra é narrada em primeira pessoa e cada capítulo corresponde a uma sessão da personagem com a sua terapeuta. Apesar de no início ser meio contrária a esse tratamento, a jovem decide concordar com ele como uma forma de não ficar internada no hospital e também como um jeito de poder falar sobre o que lhe aconteceu, sobre o que lhe está acontecendo, sem precisar dizer abertamente como se sente em relação a tudo isso. Afinal, é impossível fazer com que as pessoas entendam o sentimento provocado por um trauma pelo qual elas não passaram.

Em cada sessão, Annie começa falando sobre como foram os dias anteriores, como ela está lidando com dados acontecimentos, e num determinado momento a narrativa segue para o período em que a protagonista estava presa no chalé. No começo eu pensei que não haveria muita história para contar, pois os momentos responsáveis por retratar o tempo passado no cativeiro mostram situações que ocorriam com frequência, logo, não havia necessidade de se prolongar. Annie acordava, cozinhava as refeições e lia livros em voz alta para seu sequestrador, o qual lhe dava banho de banheira, lhe depilava, lhe entregava o vestido que deveria usar e após o processo lhe estuprava. O mesmo processo ocorria todos os dias. Mas, como eu disse anteriormente, o enredo traz não só o sequestro, mas toda a reconstrução da vítima. 

Por volta da metade do livro, a personagem começa a falar mais sobre os dias atuais, a narrar coisas que estão acontecendo agora (visitas da mãe, do ex-namorado, da melhor amiga) e a gente pode, através deles, perceber a maneira como cada coisa que ocorreu no período em que ela ficou distante afetou não só a Annie, mas todos que a amam.

Faltando umas cinquenta, sessenta páginas para o final, começaram a surgir suspeitas e informações que foram mudando aspectos da investigação referente ao sequestro da Annie, o que tornou a leitura ainda mais envolvente. A partir daí, Identidade Roubada se tornou uma obra ainda melhor. Gostei demais! O desfecho me surpreendeu e conseguiu deixar a trama mais marcante. A escrita da autora é simples e o fato de a narração ser feita por meio de sessões, nas quais a personagem conversava com sua terapeuta, gerou a sensação de que ela estava se dirigindo ao leitor, como se estivesse desabafando com ele mesmo. Se você gosta de suspense psicológico, esse livro está super recomendado.


Minha classificação para este livro é de ♥ 4/6-  "Muito bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores. 

Identidade Roubada. Stevens, Chevy. Arqueiro. 2011, 256.


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