"Mosquitolândia", de David Arnold

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Mas, mesmo hoje, visto que uma anomalia é algo que desvia do padrão, da normalidade ou da regra, não consigo pensar em outra palavra mais apropriada para me descrever. (Pág. 94)

Mary Iris Malone é uma adolescente de dezesseis anos que não está nada bem. Há alguns meses seus pais se divorciaram e, pouco tempo depois, seu pai se casou novamente, promovendo uma mudança para o Mississipi, onde deveriam iniciar uma nova família (ele, Mary e a madrasta). Com isso, o relacionamento da garota com a mãe se tornou um pouco complicado, pois as duas só podiam se comunicar através de ligações e cartas. 

Certo dia, o pai e a madrasta de Mim (apelido da jovem) foram para o seu colégio, onde deveria ocorrer uma reunião com o diretor. Quando a garota se aproximava da sala, escutou algo totalmente inesperado: sua mãe está doente e ela não havia sido informada de nada. Após essa notícia, Mim percebeu que era a hora de colocar um plano já idealizado em prática: pegar algumas roupas, dinheiro e iniciar uma jornada de ônibus rumo à Cleveland, ao lar da mãe.

"Mas essa é a essência da mudança, não é? Quando é gradual, chama-se crescimento; quando é rápida, mudança. E, meu Deus, como as coisas mudam: algumas coisas, nada, outras coisas, tudo... Todas as coisas mudam." - pág. 235

Mim é uma adolescente que, como qualquer outra, passa por momentos de crises pessoais, dificuldades de aceitação e afins, situações características dessa fase da vida. Após o divórcio dos pais e a mudança de casa, a garota decidiu que faria uma viagem para ir atrás da mãe em Cleveland, cerca de 1.524 km distante da Mosquitolândia, nome dado por ela para a sua nova cidade no Mississipi. Tudo o que faltava para realizar esse plano era um "quando" e um "como". Com a descoberta de que a mãe estava doente, não faltava mais nada. A jovem pega suas coisas, compra uma passagem de ônibus e segue para o que ela acredita ser o seu lar. 

O livro é narrado através de páginas do diário da Mim, destinadas a uma pessoa chamada Isabel, de seu dia-a-dia atual, ou seja, sua trajetória rumo à Cleveland, e de alguns flashbacks, os quais ilustram momentos importantes da vida da jovem. A forma como a personagem narra sua história, enumerando motivos para a sua viagem e compartilhando seus sentimentos, é diferente do que costumamos encontrar nos livros jovem adulto. A Mim é uma protagonista diferente e talvez esse tenha sido o principal motivo pelo qual eu gostei tanto dela. 

Road trip é um elemento que eu adoro e esse foi outro aspecto que me conquistou na obra. É muito bacana acompanhar a trajetória da Mim, todos os obstáculos que ela enfrenta, pessoas que ela conhece e aprendizados que ela faz. Esse clima de viagem, somado aos personagens e às suas histórias, torna a leitura bastante envolvente e cativante, de modo que 300 páginas passam voando.

Em certos momentos a trama sai de um ar mais divertido e segue para um tom mais sério. Algumas temáticas um tanto inesperadas são abordadas no enredo, o que só complementa o desenvolvimento e amadurecimento da protagonista. Mais do que uma jornada para uma nova casa, essa é uma jornada de autoconhecimento e aceitação. Eu tinha poucas expectativas em relação à essa obra e isso foi ótimo, pois acabei me surpreendendo muito durante a leitura. Adorei ter lido Mosquitolândia e recomendo demais para todos os leitores que gostam de fugir um pouco dos clichês de livros adolescentes.



Minha classificação para este livro é de ♥ 4/6-  "Muito bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores. 

Mosquitolândia. Arnold, David. Intrínseca. 2015, 352.

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