"Misery", de Stephen King

segunda-feira, 17 de outubro de 2016




Havia várias razões para ele não escrever mais sobre Misery, mas um motivo pairava acima dos demais, férreo e irrevogável: Misery — Hosana nas alturas — tinha morrido finalmente. Morrera faltando cinco páginas para o fim de O Filho de Misery. Quando isso aconteceu, as lágrimas rolaram desimpedidas, incluindo as de Paul — exceto que as dele eram causadas por gargalhadas histéricas.
Paul Sheldon é um famoso escritor, responsável por uma série de best-sellers protagonizada por Misery Chastain. No entanto, apesar de ser reconhecido graças a esses títulos, o autor está cansado das histórias que envolvem essa personagem e decide criar tramas diferentes, de modo que o seu nome não seja vinculado apenas à Misery. Sendo assim, Paul dá início a um projeto novo.

Após finalizar a primeira versão desse trabalho inédito, Paul sai de casa com o objetivo de encadernar o manuscrito e apresentá-lo para seu editor. O problema é que está ocorrendo uma nevasca, o que é ignorado pelo autor devido à sua empolgação com a nova obra. Por conta da neve, o seu carro acaba deslizando e saindo da estrada, deixando Paul desacordado. Para a sua sorte, ou não, o escritor é encontrado por Annie Wilkes, sua fã número um.

Annie vive em um lugar bem afastado da cidade, para onde ela leva o seu escritor favorito, de quem tem o maior prazer de cuidar. Acontece que enquanto Paul está na sua casa, a mulher compra e dá início à leitura do livro mais recente da série de Misery, no qual a protagonista morre. Revoltada com o destino da personagem que tanto ama, Annie obriga o autor a escrever uma nova história enquanto está sob os seus cuidados: O Retorno de Misery.

Ele descobrira três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após ter emergido da nuvem escura. A primeira era que Annie Wilkes tinha bastante Novril (na verdade, tinha muitos remédios de vários tipos). A segunda era que ela era viciada em Novril. A terceira era que Annie Wilkes era perigosamente louca.
O livro é dividido em três partes, cada uma separada em capítulos. A história se inicia com o protagonista sendo salvo por sua maior fã e aos poucos a sua situação nos é apresentada. Após ser resgatado, Paul é mantido preso na casa de Annie, que já trabalhou como enfermeira e por isso sabe como aplicar a medicação, mesmo quando ela não se faz mais necessária. A narrativa consegue passar bem o clima de confinamento, de modo que durante boa parte da leitura eu me senti sufocada e aflita, como se também estivesse sendo mantida em cativeiro.

O ponto forte da obra sem dúvidas é a Annie Wilkes. Essa personagem é a combinação perfeita de loucura e obsessão. A maneira como ela é construída e como ela mostra diferentes faces durante o desenvolvimento da trama é muito bacana, pois retrata bem as mudanças de comportamento de pessoas afetadas psicologicamente. A crença de que está fazendo algo bom, apesar de estar agindo de forma violenta, é um traço marcante de Annie e revela sua personalidade doentia.

Infelizmente, Misery não alcançou as minhas expectativas. Sempre vi comentários bastante positivos sobre o livro e no fim das contas não achei aquilo tudo. É uma história tensa, angustiante, mas em alguns momentos se torna um tanto repetitiva. Escritor é mantido em cativeiro por sua fã, que o tortura tanto psicológica como fisicamente e fim. O que eu quero dizer é: a proposta da obra é ótima, tão boa que não há muito o que fazer, o que explorar durante o seu desenvolvimento.


Minha classificação para este livro é de ♥ 3/6-  "Bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores. 

Misery. King, Stephen. Suma de Letras. 2014, 326.

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