"O Último Reino - As Crônicas Saxônicas #1" de Bernard Cornwell

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017


“Em outras palavras, pensávamos que o mundo continuaria como sempre.
E ao pé de Yggdrasil, a árvore da vida, as três fiandeiras zombavam de nós.”
Um belo dia eu resolvi chegar para um amigo meu e dizer que eu estava louca para ler as Crônicas Saxônicas do Bernard Cornwell. Quando eu disse isso, e expliquei que já haviam nove livros publicados, ele teve a ideia de fazer disso a nossa meta de leitura de 2017. Eu não sei exatamente se vou conseguir cumprir com a meta de ler todos os eles, afinal de contas tenho pelo menos uns outros vinte livros que estou louca pra ler, mas pretendo ler tosos os livros dessa série.

Bom, agora que expliquei como cheguei na leitura desse livro, posso passar para uma rápida sinopse.

Século IX, Inglaterra (que ainda não tinha virado Inglaterra), invasões dinamarquesas (bastante conhecidas como vikings). Esse é o principal cenário do livro O Último Reino. Uhtred, personagem fictício criado pelo autor, narra os acontecimentos históricos enquanto os vive. Quando menino foi tomado como refém pelos dinamarqueses após uma batalha e passou a infância convivendo com o inimigo. Porém, não demorou muito, ele passou a gostar de onde estava, passou a cultuar deuses nórdicos e viver em harmonia com os dinamarqueses. A história se desenrola e Uhtred nos mostra o que acontece em sua volta enquanto ingleses e dinamarqueses brigam por terras.

“Inicie seus matadores ainda novos, antes que a consciência deles cresça. Inicie-os novos e eles serão letais.”

Primeiro ponto que gostei muito desse livro: o conflito interno de Uhtred. Apesar de ser inglês de nascença, ele não consegue evitar de se sentir à vontade entre as pessoas que, em teoria, deveriam ser seus inimigos. Ele gosta da cultura nova em que foi inserido e isso acaba criando uma dúvida interna nele. Ele se sente feliz onde não devia, com pessoas com as quais ele sabe que terá que lutar, mas também não consegue se desligar de sua terra natal. O orgulho de ser inglês o carrega em um objetivo sólido, enquanto a felicidade de ter crescido dinamarquês o prepara para o que está por vir.

“Um líder lidera – disse Ragnar – e não se pode pedir que os homens arrisquem a vida se não estivermos dispostos a arriscá-la também.”

Segundo ponto: a escrita. Se você nunca leu nenhum livro do Cornwell, então se prepare pra uma escrita excelente. A leitura flui tranquilamente. As coisas acontecem, muitas vezes são vários acontecimentos ao mesmo tempo, mas a leitura não fica confusa. O livro é escrito de forma sensata e bem estruturada. Os personagens, principalmente Uhtred, são muito bem explicados e é fácil de compreender o que se passa na cabeça deles. Não é uma leitura maçante.

“Cuidado com um homem que ama a batalha. Ravn tinha me dito que só um homem em cada três, ou talvez um em cada quatro, é um guerreiro de verdade. O resto são lutadores relutantes, mas eu aprenderia que só um homem em cada vinte ama a batalha. Esses são os mais perigosos, ao mais hábeis, os que estripavam as almas e os que deviam ser temidos.”

Terceiro ponto: as batalhas. Não dá pra falar de Cornwell e não mencionar as batalhas. Quando pensamos em guerras medievais, normalmente imaginamos aquelas gritarias, bagunça de gente se matando e morrendo sem saber quem matou quem que vemos nos filmes. Não que isso não existisse, mas Cornwell nos lembra que a guerra é muito mais do que matar gente. É também sobre estratégia, paredes de escudos, negociações de trégua por causa do tempo ruim já que ninguém quer lutar na neve, comida pra alimentar os guerreiros, navios e a manutenção deles, rendições e acordos entre dois lados opostos, batalhas que podem durar horas ou talvez dias. É um grandessíssimo tapa na cara, isso sim.

“A guerra é travada no mistério. A verdade pode levar dias para viajar. Adiante da verdade voa o boato e é sempre difícil saber o que realmente está acontecendo, e a arte é arrancar o osso limpo do fato da carne podre do medo e das mentiras.”

Vale lembrar que Cornwell trabalha bastante com fatos históricos. Apesar de o livro não ser um transcrito verossímil de tudo que aconteceu, ainda assim ele traz muita verdade. Grande parte dessas verdades estão nas lutas que realmente aconteceram e em figuras histórias que realmente viveram. Por exemplo o Rei Alfredo e os filhos de Ragnar Lothbrok (que nasceram pra causar nesse mundo).

“Somos todos solitários e todos procuramos uma mão para nos segurar no escuro.”

Ai você me diz: “Mas Julia, eu não curto história. Não me relaciono muito com isso então não vou entender nada do livro”.

Vai sim. O livro é um romance sobre um homem que viveu naquela época. O autor explica o necessário, não se perde em explicações históricas, mas também não te deixa no escuro. Super recomendo esse livro para quem estiver afim de conhecer melhor o trabalho do Cornwell, mas ainda acho que se você nunca leu nada dele, comece pelas Crônicas de Artur. Eu já fiz uma resenha do primeiro livro da trilogia de Artur, O Rei do Inverno. A amiga Karine também já fez uma resenha sobre O Último Reino.

E pra finalizar, gostaria de me vangloriar por ter conseguido comprar o ebook desse maravilhoso livro resenhado por apenas R$ 3,00. 2 bjo. (Um dia eu irei adquirir a versão física e a colocarei na minha tão sonhada biblioteca particular).


Minha classificação para esse livro é de  6/6- "Obra-prima".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.
O Último Reino. Cornwell, Bernard. Editora Record, 2006, 364 p. 




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