"Animais Fantásticos & Onde Habitam", Warner (2016)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Vamos recuperar minhas criaturas antes que se machuquem. Elas estão atualmente em terreno alheio, rodeadas por milhões das mais ferozes criaturas do planeta... humanos.
Quem é fã de Harry Potter com certeza passou mal quando foi anunciado que iriam fazer um filme baseado no livro Animais Fantásticos & Onde Habitam, de J. K. Rowling. Mesmo sendo um livrinho muito fino que não passa de um manual de criaturas mágicas, era a volta do universo Harry Potter para as telonas e dessa vez com a própria Rowling no comando. Com um roteiro incrementado pelas informações da autora e o oscarizado Eddie Redmayne no papel do magizoologista Newt Scamander, no final de 2016 finalmente foi lançado o retorno do mundo mágico de Harry Potter aos cinemas. Todos os Potterheads choraram, vibraram e morreram só um pouquinho.

Newt e sua maleta cheia de bichíneos desembarcam na Nova York dos anos 1920 e acabam se metendo na maior confusão entre criaturas fugidas, a MACUSA (o Ministério da Magia americano), um não-maj (famoso "trouxa") e um ser obscuro que anda atacando as ruas. Ah, e não podemos nos esquecer a sociedade de caça às bruxas Segunda Salém. O clima é tenso e de guerra iminente, pois a bruxandade está prestes a sair da clandestinidade à força, o que causa medo e histeria e é nesse climão que as criaturas de Newt se espalham, causando mais caos ainda e uma boa dose de cenas memoráveis (ainda não me recuperei da dança do acasalamento). Há ainda a tensão pela guerra contra o poderoso bruxo das trevas Grindewald, procurado em todo o mundo. Péssima hora para um pelúcio fugir de uma maleta no meio de Nova York.


Animais Fantásticos é uma revisita maravilhosa aos filmes anteriores, desde a musiquinha de abertura com a logo da Warner (chega sobe um arrepio, bicho) até às pequenas referências a Hogwarts (melhor escola de magia sim, e notamos o cachecol amarelo e preto CEM PONTOS PARA A LUFA-LUFA, MINHA CASA! #HUFFLEPUFFPRIDE), a Dumbledore, os feitiços e tudo o mais. Porém, trata-se de uma nova história dentro do antigo universo. A trama se passa nos anos 1920 e a equipe da produção de arte e figurino fez um trabalho primoroso (inclusive levou o Oscar de Melhor Figurino); vemos um ambiente bem Gatsby em alguns momentos, vemos uma cantora de jazz maravilhosa em um bar escondido e menções à lei seca da época, que proibiu a venda de bebidas alcoólicas. E também trata-se de um filme adulto: saímos de um ambiente puramente escolar e infantil/adolescente para o mundo, para os dramas de trabalhadores, e aqui vemos os dois lados: apesar de ser bruxa e uma legilimente poderosa, Queenie trabalha servindo cafezinhos e limpando privadas; sua irmã, Tina, perdeu um cargo importante e agora faz serviço burocrático na MACUSA; Newt também trabalha para o Ministério no Reino Unido enquanto escreve seu livro-guia de trato das criaturas mágicas e o não-maj Kowalski sonha em sair da fábrica de enlatados onde perde seus dias sentindo-se sufocado para abrir uma padaria. A modernidade também tem seu foco na história, ao ser retratada a tristeza de Jacob ao sentir-se consumido numa fábrica de comida enlatada (mais rápida e menos saborosa, o que deixa as pessoas tristes, na opinião dele) e na recusa do gerente do banco ao dar a ele um empréstimo para abrir a padaria, baseado no fato de que existem máquinas que podem fazer milhares de rosquinhas por minuto sem que precise do toque humano. A tecnologia também é exaltada pela chefe dos novos salesianos contra os bruxos que representariam um atraso à vida americana.

O tom sombrio também nos mostra que não se trata mais de um filme infantil e que os fãs de Harry Potter cresceram. A relação abusiva da anti-bruxas com seus filhos adotados e o relacionamento obscuro de Graves com o jovem Credence dão um toque sombrio mas necessário à trama e trazem uma forte carga dramática. Entretanto, o festival de animais mágicos de todos os tipos apresentados num show de criatividade da produção torna a história mais leve e divertida, com a ajuda do alívio cômico de Jacob, mais perdido que cego em tiroteio no meio do mundo mágico. As cenas dele e Newt procurando pelos animais em Nova York são maravilhosamente hilárias, assim como as cenas dentro da maleta onde a maioria dos serezinhos são apresentados. Há uma química boa entre os atores, principalmente entre os que representam Queenie e Jacob; o trabalho de Ezra Miller como Credence foi espetacular, tolhido, castrado, encolhido, perfeito! Quanto a Eddie Redmayne, também conhecido como MEU MOZÃO, foi perfeito, dosando momentos de pura introspecção e timidez diante da presença humana, mas esbanjando segurança e atitude quando o assunto são os animais. Colin Farrel... Esse é o dono e proprietário do filme, manda do começo ao fim, AMÉM COLIN FARREL! E sobre Johnny Depp só posso dizer QUE DIACHO DE MAQUIAGEM FOI AQUELA?


Apesar de ser mais um filme da franquia Harry Potter e conter algumas referências muito boas, eu o recomendaria também para quem não assistiu nenhum dos filmes anteriores, pois é uma nova história, se passa muitos anos antes em uma outra sociedade, com outros personagens totalmente diferentes, é quase outro universo, muito mais adulto (é sabido que muitos adultos não têm paciência com filmes de Harry Potter, conheço vários) e mais rico historicamente falando do que a saga do bruxinho. Para os fãs é OBRIGATÓRIO, NÃO SEI PORQUE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU! E é recomendado para crianças e adultos também. Duvido você não querer um pelúcio pra chamar de seu. Ou um tronquilho. Ou um Eddie Redmayne (no meu caso).


Minha classificação para esse filme é de  5/6- "Excelente".
Veja a cotação do filme no IMDb e a opinião de outros espectadores.


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