"Pequenas Grandes Mentiras" de Liane Moriarty

quinta-feira, 13 de abril de 2017


Vou ser bem claro: isso não é um circo. É uma investigação de assassinato.
Madeline é uma mulher de quarenta anos, classe média alta, que está no segundo casamento e tem três filhos: uma adolescente, do relacionamento anterior, e duas crianças. Jane é uma mãe solteira de vinte e quatro anos que, após viver em diferentes locais, resolve alugar um apartamento próximo à praia. Celeste é uma mulher linda e rica, mãe de gêmeos, que parece ter o casamento perfeito. Essas três mulheres matricularam seus filhos no jardim de infância da escola estadual de Pirriwee, mas jamais imaginaram que esse ambiente serviria de palco para um assassinato. 

Na noite do concurso de perguntas, evento tradicional da escola que reúne pais de todas as turmas, ocorre uma morte. Alguém cai da varanda e não se sabe se foi um acidente ou um homicídio. As investigações começam, porém o clima é de confusão, afinal, naquele dia todos estavam fantasiados de Elvis Presley e Audrey Hepburn e outros conflitos estavam acontecendo simultaneamente. É preciso interrogar todos os pais e traçar a linha do tempo desde a reunião antes do início das aulas até o instante do ocorrido.

"'As mentiras ficam cada vez mais complicadas, mãe', dissera Jane. Sua mãe não tinha experiência com mentiras."

Pequenas Grandes Mentiras começa seis meses antes do concurso de perguntas, alternando depoimentos dos pais para um jornalista e os acontecimentos na escola de Pirriwee, desde o dia da reunião do jardim de infância. Nesse dia, Madeline conhece Jane em meio a um pequeno acidente, após uma discussão no trânsito, e leva a moça para tomar um café. Celeste encontra com as duas no restaurante e todas realizam uma pequena celebração do aniversário de Madeline. A partir desse momento, as três tornam-se grandes amigas e têm suas vidas conectadas.

Os capítulos são intercalados, retratando o dia-a-dia das três protagonistas. Inicialmente, essas personagens parecem somente ilustrar esteriótipos (a "perua", a mãe solteira e a mulher perfeita), de modo que suas histórias aparentam ser bastante superficiais, o que me incomodou um pouco. No entanto, com o desenrolar dos fatos e uma crescente abordagem do convívio familiar de cada personagem, o contexto vivido por essas mulheres passa a ser melhor tratado e segredos são revelados, levantando pontos necessários e justificando o título.

Como esse é um livro que mistura drama e suspense, não irei relacionar as temáticas retratadas a nomes específicos, pois isso pode ser um spoiler, mas irei mencionar algumas delas, já que eu acredito que este é um dos pontos positivos da obra. Durante o desenvolvimento, assuntos como violência contra a mulher, abusos físicos e psicológicos, bullying, imposição de padrões de beleza e vida de aparências são tratados. A autora consegue apresentar aspectos importantes dessas discussões de maneira acessível, alertando os leitores acerca dessas situações. Entretanto, acredito que em alguns momentos determinadas circunstâncias poderiam ter sido mais aprofundadas.

Além de intercalados, os capítulos são curtos, em sua maioria, e repletos de diálogos, o que torna a leitura mais rápida. A narrativa da Liane Moriarty lembra muito o formato das séries de TV, deixando sempre ganchos para os trechos seguintes da história, assim como nos episódios, contribuindo para o desenvolvimento de uma trama envolvente e de leitura empolgante. Essa característica, somada ao fato de a autora ter levantado temáticas que precisam ser discutidas na sociedade atual, foi o que eu mais gostei em Pequenas Grandes Mentiras. Apesar de ter achado o final (não o assassino ou o assassinato em si) um tanto previsível, recomendo bastante o livro.

- Pequenas Grandes Mentiras deu origem à série de mesmo nome produzida pela HBO e lançada em fevereiro deste ano.



Minha classificação para este livro é de ♥ 4/6-  "Muito bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores. 

Pequenas Grandes Mentiras. Moriarty, Liane. Intrínseca. 2015. 120.







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