"O Herói Perdido - Os Heróis do Olimpo #1", de Rick Riordan

terça-feira, 30 de maio de 2017

Sete meios-sangues responderão ao chamado, / Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado. / Um juramento a manter com um alento final, / E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.
Todo mundo sabe que minha missão de vida é divulgar e enaltecer Rick Riordan. Li e tenho todos os volumes da série Percy Jackson e os Olimpianos, recentemente li os dois volumes lançados de Magnus Chase e os Deuses de Asgard e estou perdidamente apaixonada pelas Provações de Apolo. Li até "A Pirâmide Vermelha", primeiro da série dos Kane, mas esse em especial não me conquistou. Amo seu jeito de misturar mitologia com o mundo moderno e sua linguagem jovem e atual; para mim isso é genial. Depois de Percy e Magnus, fui conhecer o deus Apolo quando foi lançado o primeiro livro, "O Oráculo Oculto" e me senti perdida nos acontecimentos. Uma guerra era citada e a própria punição do deus era consequência disso. Alguns personagens apareceram que eu não conhecia e eu boiei alegremente durante toda a leitura, embora tenha valido a pena pois o livro é realmente muito engraçado. Então, como resolução de Ano Novo, decidi ler a série intermediária, Os Heróis do Olimpo, antes de ler o segundo livro do Apolo. E assim comecei minha jornada de volta ao Acampamento Meio-Sangue.

Nesse novo livro somos apresentados a três novos personagens logo de cara: Piper, Leo e Jason. Os três estudavam na Escola da Vida Selvagem, para jovens problemáticos e eram grandes amigos. Tudo muda, porém, quando, durante um passeio ao Grand Canyon, Jason acorda no ônibus sem ter ideia de como foi parar ali, totalmente sem memória a não ser seu próprio nome. Seus amigos, porém, lembram-se de tudo o que aconteceu com eles nos meses anteriores, sua amizade e até o início de um romance com Piper. Mas, para o jovem, ele tinha acabado de aterrissar ali, naquele ônibus escolar, sem ter ideia de quem era e com um treinador muito do brabo. As coisas ficam ainda mais estranhas quando eles são atacados por espíritos das tempestades no Grand Canyon e Jason descobre ser capaz de controlar o ar e de lutar com uma moeda que vira uma espada, até que são resgatados por Annabeth Chase e levados para o Acampamento Meio-Sangue, onde todos descobrem que são semideuses e também descobrem que uma pessoa importante desapareceu: Percy Jackson, o próprio herói do Acampamento, e ninguém faz a menor ideia de onde ele está. Os deuses se calaram e Zeus proibiu qualquer tipo de comunicação entre os olimpianos e os mortais, até mesmo profecias. A partir daí vou deixar quieto pra não dar spoiler. Mas a parada toda envolve uma profecia e uma força maligna que está despertando. E nada das memórias do pobre do Jason.

Esse livro tem um diferencial em relação aos outros do Riordan: ele é dividido em pontos de vista. Em um capítulo temos a visão de Piper, em outro de Jason e de Leo. Porém, tudo é narrado em terceira pessoa, com narrador onisciente, que se infiltra nos pensamentos do protagonista do momento. Isso é interessante mas achei muito estranho a princípio, pois sou muito fã das histórias em primeira pessoa do Rick (se você leu Apolo e não rolou de rir com a narrativa do ex-deus, você tem probleminha) e esse modelo ficou mais distante e menos engraçado do que os outros. Para quem vinha rachando de rir com Magnus e Apolo, esse livro se mostrou até mesmo mais sério e um pouco mais sombrio do que os outros, até mais do que a saga de Percy Jackson. A trama, porém, prende o leitor na curiosidade de querer saber quem diabos é Jason e o que ele faz ali, se ele é perigoso, qual papel ele já desempenhou na história e se ele vai conseguir suas memórias de volta. Também há o suspense de quem está armando tudo, que é a força do Mal que está se erguendo e o que o passado dos protagonistas tem a ver com tudo isso, pois, na narrativa em terceira pessoa nada é dado de bandeja, aos poucos você vai conhecendo mais sobre o pai de Piper, sua vida anterior, a mãe de Leo e o que realmente aconteceu com ela e as tragédias pessoais de cada um. Sim, o livro acaba sendo mais pesado do que os outros pois ainda trata de assuntos mais delicados, como a perda de entes queridos, insegurança, medo, traição, o primeiro amor também (de forma melhor do que vimos em Percy, pois aqui temos a visão de uma menina, seus anseios e desejos e os sentimentos são mais explorados) e o lado sombrio de cada um: o medo de Jason de ser uma pessoa perigosa, de não saber que tipo de gente era antes de tudo; a missão especial e sombria de Piper e sua relação com o pai ausente, suas artimanhas para chamar a atenção dele; Leo e o medo de se mostrar, seus traumas, seu desamparo, o pavor de si mesmo. No fim, acaba sendo mesmo uma história mais densa do que a saga anterior.

A novidade na narrativa não atrapalha o andamento da história, pelo contrário, faz com seja bem fluida. Temos muitos novos personagens da mitologia aparecendo também e eles deixam a trama muito mais interessante, pois nunca cai no marasmo. Apesar de ter deixado o humor um pouco de lado, o autor ainda se mostra perito em entender o coração e a mente dos jovens, seu público-alvo. Comparando com a saga anterior, não é melhor nem pior, apenas mais profunda e diferente em sua proposta. E o final, totalmente aberto, responde muito pouco às perguntas que foram lançadas desde o começo, pelo contrário, nos deixa com mais questões e mais ansiosos ainda para continuar a série. E quando você lê a sinopse do livro seguinte percebe que não há uma continuação, mas a narrativa de uma outra história que aconteceu paralela àquela! Ou seja, uma saga feita para prender mesmo do começo ao fim de cada um dos cinco livros.


Minha classificação para esse livro é de  4/6- "Muito Bom".
Veja a cotação do livro no SKOOB e a opinião de outros leitores.

O Herói Perdido - Os Heróis do Olimpo #1. Riordan, Rick. Editora Intrínseca, 2011, 432 p.


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