{Postagens aleatórias da Karine} Assistindo a Digimon 17 anos depois

sábado, 5 de agosto de 2017


Você percebe que perdeu completamente o controle da sua vida quando decide, do nada, assistir de novo à primeira temporada de um desenho que você assistia quando era pré-adolescente. Pois é, essa é a minha vida. A pessoa para de assistir séries, para de ler livros e vai assistir a um anime dos anos 2000. Nunca disse que eu era normal. Bateu aquela saudade, sabe, aquela vontade de ser criança de novo, e por que não ver algo pelo qual eu era extremamente apaixonada lá no início do século 21? O que eu tenho a perder? NÃO TÔ FAZENDO NADA DA MINHA VIDA MESMO. Segue o baile.

Digimon tem trocentas temporadas, mas o que importa mesmo é a primeira e a segunda que é continuação dela com os mesmos personagens. Ou, como eu gosto de explicar, "se não tem o Angemon não vale a pena". Lá pelos idos de 2000, depois que o mundo não acabou (chupa, Nostradamus!), quem é da época se lembra da febre que foi o desenhos dos monstrinhos digitais que passava no programa da Angélica. Sim, a maioria dos meus amigos atuais de 18 anos não eram nascidos, mas quem viveu na época e tinha lá seus 12 anos, como eu, sente até uma lagriminha querendo escorrer ao ouvir o HINO que era a música de abertura cantada pela esposa do Luciano Huck ("Digimon, digitais, Digimons são CAMPEÕES"). Eu gostava, cara. Eu gostava pra cacete. Eu tinha um crush no Angemon. Eu tinha um crush no Myotismon e eu já era doente por gostar de vilões (Gladiador é dessa época também. Quenhera o protagonista perto daquele imperador DIVO?). Eu queria ser a Angewomon (eu shippava. Quem não?) EU QUERIA TER UM FUCKING DIGIMON! Mas o que eu quero dizer aqui não é o que eu pensava na época e sim o que eu pensei agora, 17 anos depois.

Myotismon e LadyDevimon, porque é disso que o povo gosta
Em 2000 a pequena Karine tinha 12 anos de idade, tava na sexta série do Ensino Fundamental, não fazia nada pra agradar a Deus e sua vida era ver desenho, brincar e escrever algumas baboseiras (fui uma criança feliz). Hoje, em 2017, Karine tem 29 anos e ainda não faz nada pra agradar a Deus, mas já passou por alguns empregos, uma faculdade e um casamento fracassado (Deus no comando). Aprendi muito. Mudei muito. Problematizo muito hoje em dia. Fiquei mais doente do que já era. Mas ficou mais fácil analisar o negócio todo agora, à luz da sabedoria de uma quase balzaquiana. 

Poxa crush
Continuo crushando o Angemon? Continuo, porque sou doente a esse ponto de crushar um personagem de desenho animado que nem tem olho, bicho. É um fucking anjo! E o emputecimento com a história me seguiu até 2017. Tipo, o Angemon é um puta dum digimon poderoso, cara. O Patamon demora 13, TREZE episódios pra finalmente digitransformar pela primeira vez. Ok, o suspense foi legal, deu tempo de aparecer o verdadeiro vilão da porra toda e tinha toda uma explicação pro Patamon ter medo de digivolver e o menino T.K é o menorzinho da turma e também tinha muito medo, o que influenciava o pequeno digimon laranja, até aí tudo bem. O negócio é que ele digivolveu pra um puta dum digimonzão sagrado, destrói o monstro poderosíssimo mas SE SACRIFICA NO PROCESSO E VOLTA A VIRAR UM OVO! MANO DO CÉU! É TANTO SOFRIMENTO QUE NÃO CABE NUM POST! E lá vamos nós vendo o bichinho virar ovo, nascer, crescer... Enquanto isso os outros digivolvem níveis acima, o baile é seguido e Angemon só volta a dar as caras 20 episódios depois. Ele é muito subestimado, cara. É muita importância pra Agumon e Gabumon, cara. Nesse meio tempo aparece o Myotismon e, sim, ele é um tesão de vampiro mesmo. Melhor. Vilão. Angemon e Angewomon (shippo) são até importantes na "derrota" do divo, mas seguem subestimados. Nada de novo. 

Maior bromance que você respeita
Era tanta exaltação de Agumon e Gabumon que eu acabei shippando Tai e Matt e isso é muito errado! São duas crianças! Mas é o maior bromance de desenho animado que você respeita mesmo. Claro que em 2000 eu não via nada desse jeito, são amigos, cruzes, o máximo que eu shippava além do casal de anjos era T.K e Kari (fui Alice). Ah, e Sora com certeza era do sapabonde e eu quase shippei ela com a Mimi (ela tinha uma admiração estranha pela amiga). É o tipo de coisa que uma mente doente de adulto processa, sabe. Outra coisa que apareceu foi a problematização. Em um dos episódios, Angewomon enfrenta Lady Devimon, uma digimon das trevas. São duas digimons fêmeas gostosas e hiperssexualizadas. Que se enfrentam. Não porque são inimigas, mas mais por um certo ciúme das meninas que chegam a chamá-la de vadia por ela ser gostosa e poderosa. Bem, Lady Devimon é um digimon demônio e Angewomon é uma digimon sagrada que está um nível acima dos outros, do Angemon, inclusive. E como é que elas se enfrentam? AOS SOCOS E TAPAS! Tem até puxão de cabelo! Duas mulheres se estapeando, bicho! Sério, foi muito vergonha alheia assistir a isso agora.

PUXÃO DE CABELO, MANO!
Aí, né, tem a continuação, que eu não lembrava muito bem. Agora só ficaram T.K e Kari da turma antiga e entraram novos digiescolhidos. AGORA VAI, HEIN! Vai ter mais Angemon! Só que os digimons não conseguem digivolver normalmente, precisam de um digiovo e tals. Com esse digiovo os novos digimons conseguem evoluir e Patamon e Tailmon conseguem evoluir também, mas de uma forma diferente. Eles viram A PORRA DE UM PÉGASO, CARA! Na moral, cara, não sei qual é o preconceito dos produtores com o Angemon, mas ok. Ele aparece de vez em quando, muito de vez em quando. Até quando ele já pode digivolver ele continua virando o maldito cavalo voador. Eu num aguento. Aí você pensa que T.K e Kari, por serem mais antigos, vão ter mais destaque, né. PORRA NENHUMA! Agora tem um novo bromance. O exaltado da vez é Davis, o Tai da rodada. E a gente tem um vilão novo, um garoto humano dessa vez, que se autointitula Imperador Digimon. O garoto manda no digimundo como se fosse dono e proprietário mesmo, escravizando os bichinhos e tratando mal a lagartinha que o segue (dá uma peninha) e sendo, tipo, muito irritante. Depois de tudo o maluco se mostra como sendo um digiescolhido também, fica bonzinho e tudo bem. Essa parte é até legal, a redenção do vilão, o sofrimento que ele passa pra se aceitar e se perdoar, quando os outros já o aceitaram e perdoaram, tudo isso é profundo. Mas aí ele se junta com o Davis e pronto, nasce outro bromance que ofusca tudo. PQP. Tudo é Davis e Ken. Os digimons dos dois chegam a digivolver a níveis muito acima dos outros. É muito favoritismo. A parte boa dessa segunda temporada é que mostra o futuro dos personagens novos e antigos e eu fiquei CHOCADA EM CRISTO quando descobri que Ken e Yolei se casaram e formaram o único casal de digiescolhidos (você viu isso chegando? Nem eu). Nenhum shipp deu certo. Mas foi lindinho ver todos eles adultos, suas famílias, a carreira que seguiram e um novo mundo se abrindo. Encerrei por aí porque não sou obrigada a ver nada que não tenha Angemon.

A mão de shippar chega brilha
Olha, foram 104 episódios. Mas como cada um tem por volta de 20 minutos, dá pra maratonar em pouco tempo. Perdi algumas noites de sono sentindo raiva e até chorando (eu mesma, no meio da madrugada, chorando com desenho animado. Minha vida não faz sentido). Mas foi boa a volta à infância, viu. Foi gostoso lembrar da época em que eu assistia Digimon nas férias, ou quando eu corria da escola pra assistir quando saía mais cedo... E amém internet, que me proporcionou isso! Digimon continua na lista pra eu continuar um dia, quem sabe? Mas a próxima da fila é Sakura Card Captors, assim que minha vida sair do controle de novo. Sim, eu tinha um crush no Yukito também...

P. S.: Descobri depois, enquanto pesquisava para esta resenha, que tem Angemon em outras temporadas e que tem uma continuação que foi feita pra comemorar o aniversário de 15 anos da série (Digimon Tri). Adivinha quem voltou a ver a terceira temporada assim que terminou de escrever?

Mais Angemon porque sim

Minha classificação para essa série é de  4/6- "Muito Boa".
Veja a cotação da série no IMDb e a opinião de outros espectadores.

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